LEITURINHA - Histórias de estrada
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de agosto de 2005
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha2 
Nem todo mundo gosta de viver todo dia no mesmo lugar, na mesma cidade. Tem gente que vive andando de um lado para outro, morando um dia aqui, outro ali. São chamados de nômades.
Ficam andando de lugar em lugar, de cidade em cidade, sem residência fixa. Levam a casa nas costas, como os caramujos. Entre os povos nômades mais conhecidos estão os ciganos.
Você já deve ter visto alguns deles acampados em alguma parte da cidade. Ficam uns dias e mudam de cidade. As mulheres ciganas são conhecidas por prever o futuro das pessoas lendo as linhas de suas mãos. Uma prática chamada quiromancia.
Como vivem andando pelo mundo, a literatura tradicional dos ciganos é praticamente toda oral. Não é escrita. As histórias são passadas de geração em geração, transmitidas oralmente aos mais jovens pelos mais velhos.
A antropóloga Florencia Ferrari teve a idéia de reuniu algumas das histórias da literatura dos ciganos e adaptá-las para o leitor infanto-juvenil. O resultado está em ''Palavra Cigana'', livro lançado pela Editora Cosac Naify com ilustrações de Stephan Doitschinoff.
A obra traz seis contos colhidos entre os ciganos em várias partes do mundo. São histórias em que defuntos saem dos túmulos, gigantes aparecem do nada, princesas brigam pela música de um piano e muito mais. Até São Jorge aparece numa delas, onde é devidamente ludibriado.
Um dos elementos presentes em todos os contos é a figura do enganador. A imagem do cigano que, para sobreviver, precisa usar toda sua esperteza. E se necessário, enganar o próximo. Sem grandes maldades.
Florencia Ferrari toca nesse assunto no texto de abertura de ''Palavra Cigana''. Entre os ciganos, a ''esperteza'' e o ''enganar'' são coisas que andam juntas. E os contos reproduzem um pouco desse universo, ao lado de vários aspectos da cultura cigana.
Alguns personagens das histórias lembram um pouco a figura de Pedro Malazarte, um dos personagens mais ''espertinho'' do folclore brasileiro. Isso confere às narrativas ciganas uma dose de bom humor. E quem anda pelo mundo tem sempre alguma história para contar.
Serviço:
-Livro ''Palavra Cigana - Seis Contos Nômades'', de Florência Ferrari, ilustrações de Stephan Doitschinoff, coleção Mitos do Mundo, 88 páginas, R$ 35,00.


