A onça era um dos animais que mais provocava medo nas florestas brasileiras. Índios, caboclos e matutos rezavam para nunca cruzarem com uma onça no meio da mata. A onça-pintada, a onça-parda e a onça-preta representavam perigo eminente.
A figura da onça fincou raízes no folclore brasileiro e criou centenas de histórias, contos, mitos e lendas. Pela sua força e ferocidade, era um animal que simbolicamente poderia ser vencido apenas com esperteza e artimanha. Nunca pela força bruta.
Em "Preta, Parda e Pintada" a escritora paulista Helena Gomes reconta alguns contos populares onde a onça figura como personagem. A maioria deles recolhidos por antropólogos entre índios bororos que atualmente vivem em reservas do Mato Grosso.
Em uma das histórias, o macaco precisa de esperteza para não ser devorado por uma onça-parda. A artimanha que utiliza é convencer a onça de que caça assada é mais gostosa que caça crua. E para fazer fogo, a onça dever ir buscar brasas que ficam na linha do horizonte, no pôr-do-sol. A fera, ludibriada, corre e corre em direção ao crepúsculo e nunca o alcança.
Em outro conto, uma cigarra propõe um desafio à onça-preta: quem é capaz de ficar mais tempo sem comer. Não acreditando como um pequeno inseto pode derrotá-la, a onça aceita o desafio. As duas se abrigam numa árvore e iniciam o jejum. Uma semana depois, morrendo de fome, onça percebe que a cigarra que ela vê ao seu lado é apenas uma casca.
Nos dias de hoje as onças não provocam mais medo. Sejam as pintadas, as pardas ou as pretas. Todas estão ameaçadas de extinção e ninguém precisa rezar para evitar cruzar com uma onça no meio da rua. Mas elas continuam vivendo tranquilamente, sem ameaças, como personagens das narrativas populares de tradição oral.

Serviço:
"Preta, Parda e Pintada"
Autor – Helena Gomes
Ilustrações – Luciano Tasso
Editora – Berlendis & Vertecchia
Páginas – 64
Quanto – R$ 44

mockup