Ele foi condenado a um castigo assustador. Foi amarrado, com grossas correntes de ferro, numa rocha no alto de uma montanha. Sozinho, à beira do precipício, sofria com o calor do sol e frio da lua.
Regularmente aves de rapina bicavam seu ventre para devorar suas entranhas. Águias se alimentavam de seu fígado e partiam. Com o tempo o órgão se regenerava e as aves novamente apareciam para repetir o banquete.
Viveu este tormento por séculos e séculos sem se arrepender de seus atos. Seu nome era Prometeu, um dos deuses da mitologia grega. Sua história foi imortalizada por Ésquilo (524 - 456 a.C.), um dos criadores do teatro grego.
Ésquilo escreveu três tragédias narrando a história de Prometeu, mas apenas um dos textos foi preservado integralmente. Este texto, ''Prometeu Acorrentado'', acaba de receber uma versão voltada ao leitor infanto-juvenil. Lançado pela Editora FTD, o livro traz a adaptação em prosa do texto teatral de Ésquilo realizada por Antonio Carlos Olivieri com ilustrações de Fernando Vilela.
Na mitologia grega, Prometeu é considerado o pai da humanidade. Modelando barro úmido de lágrimas, criou os primeiros homens da Terra. Ensinou às criaturas coisas até então restritas aos deuses. Seu ato fatal foi ter roubado o fogo de Zeus (o mais poderosos dos deuses gregos) e entregue aos homens.
Com o fogo nas mãos, e os ensinamentos de Prometeu, a humanidade começou a construir o conceito de civilização. Ao perceber que os homens poderiam entrar em rivalidade com os deuses, Zeus foi invadido por um ataque de fúria, condenando Prometeu ao sofrimento eterno.
''Prometeu Acorrentado'' narra a história de um deus rebelde que, por amor à humanidade, decide se opor aos interesses de seus semelhantes, se opor ao poder do deus absoluto. Extremamente lúcido e determinado, aceita o sofrimento por considerar não ter cometido erro algum. Analisando a existência de maneira ampla, tem a consciência de ter realizado o procedimento correto. Um herói com fígado de aço.

Serviço:
- ''Prometeu Acorrentado'' de Ésquilo, adaptação de Antonio Carlos Olivieri, ilustrações de Fernando Vilela, Editora FTD, coleção Teatro em Prosa, 64 páginas, R$ 19,70.

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