Imagine centenas de seres invisíveis que podem assumir as mais variadas formas. Criaturas que odeiam os seres humanos e se divertem perturbando suas vidas. Fantasmas que estão em todas as partes, em todos os lugares, planejando um meio para fazer gato e sapato das pessoas. Seres sanguinários capazes de qualquer coisa, dos atos mais sórdidos e sombrios.
Imaginar algo assim não é nada agradável. Mas quis o destino que a missão de lutar contra esse bando de monstros horrendos caísse nas mãos de uma garota de 14 anos de idade. Uma menina chamada Peggy Sue que não possui muitas armas para tal aventura. Na verdade possui uma única arma: seu olhar é capaz de queimar os fantasmas.
O problema é que, cada vez que ele utiliza essa tática, perde um pouco da visão. Assim, lentamente, Peggy Sue caminha para a cegueira total. Não é sem motivo que Peggy Sue usa óculos fundo de garrafa. Para vencer os monstros, precisa utilizar principalmente armas como paciência, persistência, coragem e inteligência.
As aventuras nada agradáveis vividas por Peggy começam a ser publicadas pela Cia. Das Letras, através da série ''Peggy Sue e os Fantasmas''. De autoria dos escritor francês Serge Brussolo, a série tem trilhado, na Europa, um caminho de sucesso semelhante a febre Harry Potter. Autor de livros de ficção científica e de terror, Brussolo une os dois gêneros numa viagem lunática deixando os dois pés firmes na terra.
''O Dia do Cachorro Azul'', o volume inicial da série, narra a primeira batalha de Peggy Sue contra os malvados fantasmas. Ela é única capaz de vê-los. E aquela que os monstrengos querem colocar sete palmos abaixo de terra, ou simplesmente vê-la completamente cega.
O drama maior de Peggy começa quando os seres invisíveis isolam a pequena cidade onde a garota está morando temporariamente. Trocam o sol real por um sinistro sol artificial. Uma luz que torna as pessoas mais inteligente e, dependendo do tempo de exposição, em gênios. O efeito colateral é que os neurônios em poucos dias se extinguem. Em pouco tempo é possível passar de gênio a imbecil.
Mas não só as pessoas, sob o efeito do sol artificial, ficam inteligente. Os animais também. E em pouco tempo, cachorros, gatos, vacas e porcos tomam o poder da cidade passando a viver como gente e tendo como bichos de estimação os seres humanos. Aproveitando a situação a turba animal resolve se vingar do passado domesticado. Para isso começa a tumultuar a mente dos habitantes através da telepatia.
A cidade se transforma num verdadeiro caos. Aqueles que tentam sair são mortos pelos fantasma. Aqueles que ficam sobrevivem a um passo da loucura. Apenas Peggy é capaz de entender completamente os acontecimento e, como não passa de uma garota, nenhum adulto lhe dá ouvidos. Assim a situação só piora chegando até mesmo ao canibalismo.
A essa altura você deve estar pensando que ''O Dia do Cachorro Azul'' é uma loucura só. Na realidade trata-se de um romance juvenil de ficção científica temperada com algumas pitadas de terror fantástico. Acima de tudo é uma narrativa de ação. Tudo acontece de maneira veloz, uma nova situação a cada página. Em outras palavras, a típica literatura de entretenimento nos dias de hoje. Tem tudo para se tornar uma nova febre.
Serviço:
''O Dia do Cachorro Azul'' - Primeiro Volume de ''Peggy Sue e os Fantasmas'' - de Serge Brussolo, Editora Cia. Das Letras, tradução de Eduardo Brandão, 224 páginas, R$ 26,00.

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