Uma simples cortina de janela se transforma em capa. A cueca mais básica se transforma em uniforme. Com apenas esses dois elementos, cueca e cortina, e um pouco de imaginação, é possível germinar um super-herói. O lendário Capitão Cueca.
Pelo menos nas brincadeiras de Jorge e Haroldo, dois garotos que adoram histórias em quadrinhos, Para suportar a chatice da sala de aula da escola, os dois amigos começam a escrever e desenhar toscas histórias em quadrinhos. O ponto de partida está na criação de Capitão Cueca, um super-herói baseado no Sr. Krupps, o ranzinza diretor da escolha em que os dois estudam.

Imagem ilustrativa da imagem LEITURINHA - Cueca de super-herói



A partir de um mágico estalo de dedos, o Sr. Krupps se transforma numa figura hilária. Ele entra numa espécie de transe. Tira todas suas roupas e, só de cueca, arranca as cortinas das janelas mais próximas. Com a cortina faz uma suntuosa capa amarrada no pescoço. E assim, num estacar de dedos, um chato sujeito torna-se um simpático super-herói capaz de enfrentar e derrotar os piores vilões. Um sujeito capaz de derrotar a maldade do mundo e azucrinar aqueles que colocam a tranquilidade no planeta em perigo.
Capitão Cueca, uma criação do desenhista norte-americano Dav Pilkey volta às livrarias pelas mãos de uma nova editora, a Companhia das Letrinhas. A série com mais de dez volumes começou a ser publicados no Brasil em 2001, pela editora Cosac Naify.
Com o fechamento da Cosac Naify, ocorrida em 2015, a Companhia das Letrinhas comprou os direitos de publicação e acaba de lançar, "As Aventuras do Capitão Cueca", o primeiro volume da série.
A grande novidade está no fato que as edições começam as ser publicadas em cores, em vez do tradicional uso apenas do preto de branco das edições antecedentes. Todo o resto permanece o mesmo. Histórias típicas de moleque com toneladas de humor e melecas espalhadas por todos os lados. Nada mais do que a típica "porquice infantil" presente tanto nas manifestações do mundo real quanto do mundo imaginário.
A obra, em todos os volumes da coleção, traz duas narrativas paralelas. De um lado está a narrativa do autor, apresentando os acontecimentos. De outro lado está a narrativa das histórias escritas e desenhadas pelos personagens Jorge e Haroldo.
Essas histórias são capazes de deixar de cabelos em pé professores de língua portuguesa. O motivo é simples. Por estarem ainda nos primeiros anos escolares, Haroldo e Jorge escrevem sem conhecimento ortográfico. E cometem todos os erros possíveis em matéria de um "s", dois "ss", ou "z" e do "ç".
Jorge e Haroldo, no processo de narrar as histórias que criam longe da escola, invariavelmente escrevem as palavras de maneira errada perante os padrões ortográficos. Isso porque, pela idade que possuem, ainda não conseguem dominar os padrões oficiais ortográficos da língua escrita padrão.
Mesmo com as brincadeiras lúdicas e aparentemente irresponsáveis criadas por Dav Pilkey, há uma identificação inexplicável entre meninos e Capitão Cueca.
O mundo é um tipo de realidade que sempre há alguém disposto em dividi-lo em partes. Uma dessas partes pode, quem sabe, ser agasalho de uma realidade extrema.

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| Foto: Fotos: Reprodução

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Serviço:
"As Aventuras do Capitão Cueca – Volume 1"
Autor – Dav Pilkey
Editora – Companhia das Letrinhas
Tradução – Clara Lacerda
Páginas – 144
Quanto – R$ 34,90

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