LEITURINHA - Contos sem fadas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de novembro de 2012
Marcos Losnak <br> Especial para a Folha2 
Quando se fala em contos de fadas, logo aparece na lembrança histórias como ''Bela Adormecida'', ''Cinderela'', ''Chapeuzinho Vermelho'', ''Branca de Neve'' e ''Rapunzel''. Ou ''João e Maria'', ''Gato de Botas'' e ''Pequeno Polegar''.
Essas histórias são conhecidas em qualquer parte do mundo graças a dois irmãos, Jacob Grimm (1785 - 1863) e Wilhelm Grimm (1786 - 1859). Duzentos anos atrás eles decidiram coletar contos da tradição oral na região em que residiam na Alemanha. Com as histórias organizaram dois livros, o primeiro publicado em 1812 e o segundo em 1815.
Embora apenas uma dezena delas ganharem fama, ao todo os irmão Grimm reuniram 156 histórias. Todas estão em ''Contos Maravilhosos e Domésticos'', uma caixa com dois volumes que está sendo lançada pela editora Cosac Naify com ilustrações de J. Borges.
O próprio título, sem fazer uso do termo ''contos de fadas'', procura resgatar termos mais próximo daquilo que os irmãos Grimm idealizaram há dois séculos. Além de trazer os textos integrais, a edição faz uma ponte, através das ilustrações, com a tradição da literatura de cordel brasileira.
''Contos Maravilhosos e Domésticos'' é uma oportunidade imperdível para conhecer as histórias em seu formato original - já que na vasta quantidade de versões e adaptação os contos foram alterados. Basta alguns exemplos.
Quem envenenou a Branca de Neve com a maçã não foi sua madrasta, mas sua própria mãe com inveja da beleza da filha - e não foi o beijo do príncipe que a acordou, mas um tapa nas costas dado por um vassalo raivoso. As irmãs da Gata Borralheira, para seus pés entrarem no sapatinho de cristal, cortam com faca os dedos e o calcanhar. O príncipe percebe o golpe pela quantidade de sangue. Mais uma: descobriram que a Rapunzel jogava suas tranças ao príncipe encantado porque certo dia ela apareceu gordinha. Estava grávida.
Essas e outras verdades até podem abalar a reputação das fadas, mas demonstram como as versões e adaptações alteraram as histórias originais ao longo do tempo por questões diversas. Mas isso é apenas um dos pontos que faz de ''Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos'' mais do que interessante.
A leitura vale igualmente pelas histórias pouco conhecidas ou totalmente desconhecidas. São contos que trafegam entre o fantástico e a fábula de cunho moral, na maioria das vezes, carregados de nonsenses e absurdos.
Alguns contos são capazes de deixar, nos dias de hoje, pais, mães, avós e professores de cabelos em pé. É que dois séculos atrás, na tradição oral, não havia nada parecido com o que conhecemos hoje como politicamente correto. Melhor nem dizer o que acontece, numa das histórias, quando um grupo de crianças resolve brincar de açougueiro.
Serviço:
- ''Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos (1812 - 1815)''
Autor - Jacob e Wilhelm Grimm
Ilustrações - J. Borges
Editora - Cosac Naify
Tradução - Christine Rohrig
Apresentação - Marcus Mazzari
Páginas - 384 (volume 1) e 288 (volume 2)
Quanto - R$ 99


