Imagem ilustrativa da imagem LEITURINHA - Ai, que preguiça!
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Sempre existe algum aluno torcendo o nariz diante de "Macunaíma – O Herói Sem Nenhum Caráter", obra-prima do escritor Mário de Andrade (1893 –1945). Uma hora ou outra todo professor de literatura brasileira tem a missão de indicar a leitura obrigatória do livro.

A dificuldade básica que provoca narizes torcidos está no vocabulário e nas referências utilizado pelo autor. A obra pode ser considerada uma espécie de enciclopédia do povo brasileiro, dos aspectos naturais aos aspectos culturais.

Em "Macunaíma", Mário de Andrade entrelaça a tradição popular brasileira, mitos indígenas, fontes históricas lusitanas, elementos do folclore e referências da cultura afro-brasileira. O resultado é um caminhão de palavras e termos que necessitam de meia dúzia de dicionários.
A editora FTD acaba de lançar uma nova edição de "Macunaíma – O Herói Sem Nenhum Caráter" direcionada ao leitor jovem que resolve toda essa dificuldade. Além do texto integral, a edição traz um glossário com 706 verbetes. Também traz 520 notas de esclarecimento e contextualização das referências utilizadas por Mário de Andrade.

O trabalho foi realizado pela professora de literatura brasileira Naomi Jaffe a partir de sua experiência em sala de aula: "Macunaíma sempre foi um dos romances mais complexos de ensinar, por todos os desafios lexicais, gramaticais e literários que ele representa. Nunca quis que o livro fosse usado como mera ilustração de um período, um autor, uma vanguarda. Ele transcende a tudo isso, subsistindo, como acontece com outras obras, como um símbolo que pode, permanentemente, ensinar ao brasileiro quem ele é e quem ele pode ser."

Naomi Jaffe acrescenta que o romance, uma das narrativas mais emblemáticas do Modernismo brasileiro e da Antropofagia (movimento criado por Oswald de Andrade em 1927), pode funcionar como um espelho: "Macunaíma é uma das obras mais significativas para os jovens de hoje. Se o herói em nenhum caráter puder ser pensado como uma metáfora para o Brasil e os brasileiros, de ontem e de hoje, e se o aluno tiver a oportunidade de, com ele, refletir sobre a nossa condição e espelhar-se nesse personagem enquanto ri e acompanha suas desventuras, então o livro terá cumprido seu destino de estrela."

Mário de Andrade escreveu "Macunaíma" em 1928. Segundo a lenda, em apenas sete dias isolado em um sítio do interior de São Paulo. O personagem criado pelo escritor segue pela existência com lendário bordão "ai, que preguiça". Na realidade Macunaíma não é desprovido de caráter, apenas seu caráter se altera conforme a conveniência, conforme a necessidade, de acordo com os próprios interesses.

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Serviço:
"Macunaíma – O Herói Sem Nenhum Caráter"
Autor – Mário de Andrade
Ilustrações – Mariana Zanetti
Notas, glossário e posfácio – Noemi Jaffe
Editora – FTD
Páginas – 248
Quanto – R$ 52

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