LEITURINHA - A selva do poder
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de setembro de 2013
Marcos Losnak<br>Especial para a Folha2 
Numa época longínqua todos os animais eram amigos. Não brigavam entre si e não caçavam uns aos outros. Viviam do que plantavam. Suas patas eram desprovidas de garras. Seus dentes não eram afiados. O rei dos animais era o leopardo, que governava a floresta com paz e cooperação.
Certo dia o leopardo percebeu que os animais precisavam de um abrigo coletivo contra as chuvas. E propôs que cada animal ajudasse na construção. Todos os bichos aceitaram trabalhar na construção do abrigo. Todos não, apenas o cachorro se recusou a ajudar.
Na verdade o cachorro era um animal cheio de rancor. Ele era um animal diferente dos outros, tinha dentes grandes e pontudos. Como dentuço, era motivo de gozação de todos os outros bichos.
Num dia de intenso temporal, o cachorro resolve invadir o abrigo coletivo e expulsar todos os animais. Para isso, utiliza a violência e aquilo que era motivo de gozação: os dentes grandes e afiados.
A partir daí, a floresta perde a paz. Mas isso é só o começo de "As Garras do Leopardo", livro infantil do escritor nigeriano Chinua Achebe lançado pela editora Companhia das Letras com ilustrações de Mary Grandpré.
A obra narra, de maneira fabular, as engrenagens da luta pelo poder. De como o mais forte e prepotente se impõe através da força bruta. Mais do que isso, de como os animais preferem ficar ao lado do mais forte do que ao lado do mais justo.
"As Garras do Leopardo" é carregado de metáforas. Os animais representam faculdades humanas que envolvem a luta pelo poder, a violência como coação, os mecanismos das guerras civis, a covardia da facilidade, os princípios da opressão, a cooperação destruída pelos interesses individuais e outras coisas mais.
A conclusão da história de Chinua Achebe não é muito otimista, apenas realista. O leopardo derrotado e expulso resolve desenvolver terríveis garras de aço e ferinos dentes de ferro. E para provocar medo, um rugido de trovão.
Como uma bola de neve, todos os animais abandonam a cooperação e passam a viver cada um por si. Com garras e dentes para devorar uns aos outros. A paz torna-se uma vaga lembrança do passado.
Serviço:
"As Garras do Leopardo"
Autor Chinua Achebe
Inspiração John Iroaganachi
Ilustrações Mary Grandpré
Editora Companhia das Letrinhas
Tradução Érico Assis
Páginas 48
Quanto R$ 33


