LEITURINHA - A força da união
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de maio de 2005
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha2 
Você já deve ter ouvido trezentas vezes a fase: ''Já falei mil vezes, parem com isso!''. Ou essa, bem parecida: ''Parem de brigar, já falei mil vezes!''.
É o tipo de frase que vive saindo da boca de mães, professoras, tias e avós. De pais também.
Esse era o caso de um homem que tinha sete filhos. Viúvo, cuidava dos filhos, todos homens, com dedicação. O que o incomodava, era que os filhos passavam dia e noite brigando entre si. Qualquer coisa era motivo para discussões e pescoções.
Assim, o pai passava o tempo todo, pedindo mil e uma vezes, que os filhos parassem de brigar. Sua voz entrava por um ouvido dos meninos e saía por outro. Eles continuavam brigando, entre berros, gritos, socos e pontapés.
Um belo dia o homem morreu. Nesse mesmo dia os filhos começaram a brigar para saber quem ficaria com a herança. No meio de socos e pontapés descobriram o testamento do pai.
O homem havia deixado seus bens divididos em sete partes iguais, uma para cada um dos filhos. Mas para ter acesso à herança, precisavam cumprir um desafio.
Cada um dos filhos recebeu um novelo de linha de cores diferentes. Os sete tinham que, juntos, transformar os novelos em ouro. Algo pra lá de complicado para um bando de briguentos.
Esse é apenas o começo da história narrada pela escritora norte-americana Angela Shelf Medearis no livro ''Os Sete Novelos''. E para cumprir o desafio proposto pelo pai, os garotos começam a fazer o que nunca fizeram antes: conversar, cooperar, ajudar o ouro, ajudar, aceitar idéias alheias e muito mais.
''Os Sete Novelos'', com ilustrações de Daniel Minter, foi escrito por Angela com objetivo de fortalecer as comemorações do Kwanzaa. Uma espécie de fábula para evidenciar seus valores morais.
Kwanzaa (pronuncia-se ''cuanzá'') é uma data comemorativa da comunidade negra norte-americana. Algo parecido com as comemorações do dia Zumbi dos Palmares no Brasil. São pessoas de ascendência africana que se reúnem para valorizar a tradição de seus antepassados que vieram da África.
Mais de uma festividade, o Kwanzaa é uma celebração que cultua alguns princípios. Alguns deles estão espalhados na história dos sete irmãos: unidade, autodeterminação, trabalho coletivo e responsabilidade, criatividade, cooperação econômica, trabalho coletivo e responsabilidade entre outros.
Independente de do Kawanzaa, ''Os Sete Novelos'' é uma simpática história sobre como o mundo pode ser melhor se a cooperação entre as pessoas se tornar uma prática comum e diária. Tudo bem, você vai dizer que alguém já ouviu isso mais de mil e trezentas vezes. Talvez porque entra por um ouvido e sai pelo outro.
Serviço:
- Livro ''Os Sete Novelos'', texto de Angela Shelf Medearis, ilustrações de Daniel Minter, Editora Cosac Naify, tradução de Lílian Jenkino, 40 páginas, R$ 31,00.


