Guerra é aquele tipo de coisa que deixa todo mundo assustado. Ninguém quer ficar perto de conflitos armados, sejam grandes ou pequenos. Mesmo assim, as guerras acontecem nos mais variados lugares, em qualquer época.
  Entender as causas dos conflitos pode ser uma maneira de evitar que eles aconteçam. Nessa direção, o escritor Davide Cali e o ilustrador Serge Bloch, criaram ‘‘O Inimigo’’, livro que revela às crianças o lado pouco abordado sobre a violência das guerras.
  Publicado originalmente com o apoio da Anistia Internacional, a obra chega ao Brasil lançada pela editora Cosac Naify. Apresenta a batalha travada por dois soldados, os únicos sobreviventes do conflito, isolados cada um em sua trincheira.
  A narrativa de ‘‘O Inimigo’’ é apresentada por um dos lados, por um dos soldados. Em seu isolamento, entre o receio de morrer e esperança de que a guerra chegue ao fim, começa a perceber que o inimigo é uma pessoa como ele. Um igual, não um diferente.
  Entende que o inimigo, assim como ele, também tem receio de morrer, tem esperança de a guerra acabar, tem uma família esperando-o em casa, sente fome, sede, frio e saudades. Ou seja, o inimigo é uma pessoa igual a ele, um ser humano exatamente com as mesmas características. A única diferença entre eles é que cada um está de um lado do conflito, de um lado da batalha.
  Diante desse entendimento, o conflito torna-se tão absurdo que nenhum dos lados é capaz de admitir tal coisa. Nenhum dos lados tem a capacidade de dar o primeiro passo, realizar o primeiro gesto na direção da superação das diferenças, dos interesses particulares e do ódio.
  Em ‘‘O Inimigo’’, Davide Cali e Serge Bloch sugerem que a guerra antes de acontecer na prática, existe dentro da cabeça de cada lado do conflito. Em síntese, o inimigo não seria um sanguinário elemento externo. Seria, na realidade, algo gerado nos próprios pensamentos.
  Essa abordagem inusitada aparece em ‘‘O Inimigo’’ com uma sutileza que abre as portas para uma calma e clara reflexão. É necessário muito mais coragem no momento de promover a paz do que no instante de gerar a guerra.

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