De Curitiba
Talos de folha de buriti - palmeira nativa de várias regiões do Brasil - servem de matéria-prima para a confecção de brinquedos e objetos populares. A exposição ‘‘Comemorar é conhecer - Pássaros do Bananal’’ abre hoje, às 19h, no Memorial de Curitiba, e reúne material produzido por crianças e adolescentes indígenas e da zona rural de Mato Grosso. Outra atração é o artesão Rubens do Amaral Filho fazendo brinquedos ao vivo e conversando com as crianças.
Sob a orientação do arte-educador, especialista em promoção de leitura, o matogrossense Maurício Leite, os jovens montaram cenários e objetos que representam a forma de vida das regiões interioranas do Centro-Oeste brasileiro.
Pássaros e animais, flores e frutos, casas e bichos são trabalhados em madeira, em tamanho natural ou em miniatura. Desde 1980, Maurício Leite desenvolve esse trabalho junto às comunidades do médio-Araguaia, na Ilha do Bananal (entre TO, MT e PA). Sua fonte de pesquisa e inspiração é a herança social, familiar e cultural, que vem sendo recuperada, documentada, valorizada e divulgada.
Os brinquedos são uma forma de arrecadar recursos para o projeto de leitura. As peças são vendidas para o Museu de História Natural e o El Museo del Barrio, ambos de Nova York. ‘‘O brinquedo popular tem memória. Cada um tem uma história, que é pesquisada junto aos idosos e repassada durante as oficinas’’, conta Maurício.
O projeto de leitura na Ilha do Bananal começou há 18 anos, com 150 professores, cada um, com 30 alunos. ‘‘Hoje já perdi a conta de quantas pessoas estão envolvidas no trabalho’’, confessa Maurício. Ele diz que está, inclusive, à disposição das escolas paranaenses para ajudar a montar equipes de incentivadores da leitura. ‘‘Vou às escolas, levo as malas, conto histórias e crio um ambiente favorável de prazer pela leitura.’’
Um dos objetivo dessa mostra é promover a reflexão de que é possível deter o processo de violência cultural a que estão submetidas crianças e jovens no Brasil. A exposição faz parte do Projeto Malas de Leitura e Oficinas de Brinquedos, voltado ao incentivo à leitura e à alfabetização de crianças e adultos. A idéia é promover ações que incentivem a leitura de forma inovadora e adequada a cada comunidade.
O maior resultado do projeto foi a criação de um método eficiente de formação de leitores, reconhecido até no exterior. As malas viajam de ônibus, barco, canoa, charrete, à pé, a cavalo e levam em seu interior os melhores títulos literários.
Em comunidades indígenas, onde não há sucata urbana, Maurício Leite optou pelo buriti, como matéria-prima perfeita para o artesanato, que complementa as atividades do projeto. A retiradas das folhas é feita com critérios ecológicos, na época da poda, ajudando o desenvolvimento da planta e impedindo que o material seco caia sobre o solo e facilite a propagação de incêndios.
A viagem da exposição para outros estados também é uma forma de levantar recursos para a manutenção e ampliação do Projeto Malas de Leitura e Oficinas de Brinquedos. O trabalho conta com o apoio financeiro da Unicef, da organização não-governamental americana Ashoka e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Leite também desenvolve trabalhos para os programas de alfabetização do projeto Comunidade Solidária, desenvolvido pelo Governo Federal.
‘‘Comemorar é conhecer - Pássaros do Bananal’’, trabalhos das oficinas de brinquedos, coordenadas por Maurício Leite. Memorial de Curitiba (Largo da Ordem). De hoje a 31 de outubro, de terça a sexta-feira, das 9h às 18h; sábados e domingos, das 9h às 15h.A arte-educação percorre caminhos cada vez mais criativos no sentido de valorizar a riqueza da cultura brasileira por intermédio da leitura
DivulgaçãoDivulgaçãoTuiuius, garças e pavões feitos com levíssimos talos de buriti e pintados nas cores exuberantes da natureza são uma pequena amostra da exposição que abre hoje no Memorial de Curitiba

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