Saraus da editora Madrepérola agrupam várias formas de manifestação artística, desde a leitura de textos e poesias até a exposição de fotos,artes plásticas, música e vídeo
Saraus da editora Madrepérola agrupam várias formas de manifestação artística, desde a leitura de textos e poesias até a exposição de fotos,artes plásticas, música e vídeo | Foto: Divulgação



O índice de leitura no país, mesmo com ligeira melhora nos últimos anos, indica que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano – desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes. A média anterior era de 4 livros lidos por ano. Esses dados foram divulgados em 2016 - último levantamento existente - e compuseram a quarta edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope por encomenda do Instituto Pró-Livro, entidade mantida pelo Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), CBL (Câmara Brasileira do Livro) e Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares). A pesquisa ouviu 5.012 pessoas, alfabetizadas ou não - mesma amostra da pesquisa anterior - representando, segundo o Ibope, 93% da população brasileira.

Apesar do pequeno aumento, os números são tímidos quando comparados a outros países. No entanto, várias pessoas continuam a compartilhar do gosto pela leitura e não é raro encontrar iniciativas independentes, como clubes de leitura espalhados por aí. Em Londrina, existem diversos grupos – em universidades, bibliotecas, empresas e organizações – que reúnem-se para ler, discutir e refletir sobre determinada obra ou assunto. Um deles é o "Clube do Livro" coordenado pelo jornalista e escritor Paulo Briguet e o sociólogo e editor literário Silvio Grimaldo, que também são os curadores, realizado quinzenalmente na Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) desde o ano passado. "Jamais sairemos da crise civilizacional em quem estamos mergulhados sem recuperar os valores da alta cultura, na maioria das vezes, presentes nas grandes obras da literatura, da música e das artes em geral", diz Briguet.

Segundo ele, o clube tem por objetivo, portanto, ampliar o horizonte intelectual das pessoas pela leitura e análise de obras clássicas da literatura, cuja ideia foi inspirada no projeto "Expedições pelo Mundo da Cultura", desenvolvido pelo professor José Monir Nasser (1957-2013). "Cada participante recebe um folheto com algumas passagens do livro em questão. Na primeira parte, Grimaldo apresenta o autor e seu contexto histórico e eu apresento um resumo da obra. Na segunda parte, fazemos o chamado "pinga-fogo", em que levantamos algumas questões em torno da obra e do autor, relacionando a história apresentada com a realidade atual", explica, acrescentando que, no primeiro ano de atuação, foram apresentadas 20 obras no clube e, neste ano, serão mais 20. "Acreditamos que as grandes mentes criadoras são a bússola e a estrela-guia nas águas tormentosas da sociedade contemporânea." Dentre as obras trabalhadas em 2017, a curadoria elaborou uma lista em que o assunto principal eram as relações de poder.

O mundo da história - Grupo existente desde 2015, o "Amigos de Palavra", acontece em Londrina todo segundo sábado do mês e também em Maringá. "É um espaço eclético de encontro para quem adora histórias, em que os participantes debatem a obra lida, o que muda em suas perspectivas e em suas próprias vidas por causa das histórias que leem. Quem sabe uma leitura lhe dá uma ideia, uma inspiração, o ponto de alguma questão? Partilhamos conhecimento sobre os temas afins e olhares plurais, além de curiosidades a respeito do autor, época em que a obra foi escrita, o mundo da história", explica a escritora Dany Fran que, além do clube, atua junto com a irmã Kelly Shimohiro no blog literário "Irmãs de Palavra". O primeiro encontro de 2018 será no próximo dia 10 de março. "Há os integrantes fiéis, os que vêm por curiosidade, os que descobriram agora, os que conseguiram achar um tempo para os livros."

Silvio Grimaldo e Paulo Briguet criaram o Clube do Livro no qual a leitura é compartilhada trazendo a discussão para os problemas contemporâneos
Silvio Grimaldo e Paulo Briguet criaram o Clube do Livro no qual a leitura é compartilhada trazendo a discussão para os problemas contemporâneos | Foto: Arquivo Acil/ Divulgação



No grupo, os participantes sugerem obras para, democraticamente, o título ser escolhido. "Buscamos leituras diversas para nos desafiar como leitores. Queremos conhecer autores locais, autores que estão em voga, os clássicos, a literatura nacional, também os livros escondidos, que estão à margem, os diferentes gêneros", diz. Para ela, estarem envolvidas com pessoas que amam ler é motivador, já que ambas irmãs/escritoras são leitoras desde muito cedo. "Durante estes primeiros dois anos, o crescimento e a consistência das discussões está cada vez melhor. Lemos obras que, se não fossem pelos clubes, não leríamos. Pessoas também voltaram a ler e se entusiasmaram, encontraram um novo hábito. Estamos lendo bastante - clássicos, best sellers, biografias, contos, suspense, terror, fantasias, nacionais, estrangeiros."

Outros grupos - Dentre as várias atividades que o coletivo feminino "Versa" realiza em Londrina estão o Café com Poesia e o Sarau literário Versa e ConVersa. Este último, acontece bimestralmente em diferentes locais da cidade e a próxima edição será no dia 14 de março, na biblioteca do Sesc, às 19h, com lançamento de livro. O evento reúne artistas, músicos e escritores para apresentarem ou expressarem seus trabalhos literários e artísticos. A partir deste mês, no dia 7 de março, o Sesc Londrina também vai iniciar o Clube de Leitura com objetivo de reunir pessoas que gostam de ler e dividir experiências literárias. Os encontros gratuitos acontecerão todas as quartas-feiras, às 19h, na biblioteca da instituição. A cada encontro, que acontece de forma independente, serão distribuídos textos curtos de vários gêneros. Neste mês de março, os textos a serem lidos e discutidos são de autoria feminina.

Pedro Costa, dono do Nosso Sebo, e Rafael Silvaro, da editora Madrepérola, juntam suas experiências literárias em saraus de nomes criativos como ‘Literofobia" e ‘Carnasarau’
Pedro Costa, dono do Nosso Sebo, e Rafael Silvaro, da editora Madrepérola, juntam suas experiências literárias em saraus de nomes criativos como ‘Literofobia" e ‘Carnasarau’ | Foto: Saulo Ohara



Sarau reúne várias linguagens
Reunir literatura, música, declamações, comida e bebida são os ingredientes para os saraus que a Editora Madrepérola, de Londrina, promove desde 2016. "Nosso primeiro evento ocorreu no carnaval daquele ano. Inicialmente, o intuito era oferecer uma alternativa mais cultural para a programação dessa data, bem como unir os artistas da cidade para divulgarem seu trabalho. As demais edições procuraram manter essa proposta interativa entre produtor cultural e os demais interessados, já que os saraus são espaços de socialização", explica o editor Rafael Silvaro, que também organiza os saraus, informando que o evento tem o intuito de agrupar as variadas formas de manifestação artística, desde a leitura de textos e poesias,a exposição de fotos, ilustrações e artes plásticas, como também a música e vídeo.

Além da integração, segundo ele, o ponto mais importante dos saraus é mostrar o que há de novo na cidade no que se refere à arte. "A parte cultural de Londrina é algo deixado de lado em alguns ambientes, por conta disso, os locais escolhidos para os saraus são espaços cotidianos, como os bares e os sebos. Assim, o sarau é o momento em que a arte pode ser manifestada por todo aquele que tem algo a oferecer e àquele que se interessa pela produção da cidade". A escolha dos temas, conforme o organizador, vai ao encontro à época do ano ou algum assunto relevante. "Já promovemos uma edição junina e levamos como tema autores modernistas, que trabalhavam o regionalismo em suas literaturas. Também escolhemos temas relacionados ao preconceito em suas variadas manifestações. Geralmente, há o lançamento de livro de autores que também conversam com a proposta", completa.

Desde que a ideia vingou, a editora promove os eventos "Literofobia", "Carnasarau" e "Sarau Madrepérola", que ocorrem trimestralmente em locais variados da cidade. Para tanto, escolhem espaços para dar destaque às publicações, lançar autores e convidar o público a soltar sua voz. E, para que isso ocorra, é importante encontrar parceiros que abram as portas para as atividades, como fez o "Nosso Sebo" durante o último carnaval. Desde o ano passado, Pedro Costa, proprietário do local, oferece o espaço para artistas mostrarem seus trabalhos em uma galeria, assim como para reunião de clubes de leitura, apresentações e saraus. "O sebo existe há 13 anos, mas, nesta localização, estamos há pouco mais de um ano com uma casa ampla que dispõe de área de convivência. Vários grupos têm procurado o sebo para suas atividades", diz ele, recomendando que, neste sábado (3), a partir das 19h, será realizado o "Choro do Sebo", uma nova parceria com o Clube do Choro de Londrina.

Serviço:
Clube do Livro: Quinzenal, às quintas-feiras, às 19h, na Acil (rua Minas Gerais, 297). R$ 25 (facultativo)

Sarau Madrepérola: Trimestralmente em locais variados. Gratuito

Amigos de Palavra: Todo segundo sábado do mês, às 16h30, na Livrarias Curitiba do shopping Catuaí. (rod. Celso Garcia Cid, 5600). Gratuito

Clube de Leitura: Todas as quartas-feiras, às 19h, Sesc Londrina Centro (Rua Fernando de Noronha, 264). Gratuito

Sarau Versa e ConVersa: Bimestralmente em locais variados. Gratuito

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