Tudo indica que a fantasia é o gênero literário que mais está ganhando espaço no mercado editorial. Nos últimos anos, uma série de obras galgaram sucesso arrebanhando legiões de fãs com a ajuda articulada da indústria cinematográfica.
Classificados genericamente de literatura infanto-juvenil, esses livros se popularizaram nas mais diferentes faixas etárias. Entre os mais conhecidos, estão ''O Senhor dos Anéis'', de J. R. R. Tolkien, ''Harry Potter'', de Joanne K. Rowling e ''Fronteiras do Universo'' de Philip Pullman, todos publicados em vários volumes.
Agora, a indústria do entretenimento coloca nas livrarias o que pode ser febre de fantasia da próxima estação. Trata-se do primeiro volume de ''Abarat'', obra do escritor inglês Clave Barker dividida em quatro volumes. Lançado no Brasil pela Cia. das Letras, o livro vem acompanhado pelo marketing da indústria cinematográfica norte-americana.
Antes mesmo de Clive Barker escrever o primeiro volume da série, com base no argumento, a Disney já havia comprado os direitos de filmagem e até o copyright do nome Abarat. Deverá ser seu grande produto nos próximos anos.
Curiosamente, Clive Barker - que se divide entre o ofício de romancista, cineasta e pintor - não é o tipo de escritor que se esperaria entrar no universo da literatura infanto-juvenil. Suas obras, todas voltadas ao público adulto, estão repletos de sangue, horror, crimes e crueldades.
Homossexual mais que assumido, é um artista que pode ser chamado de excêntrico, detentor de hábitos pouco usuais.
Para escrever e ilustrar ''Abarat'', levou quatro anos. As imagens foram compostas em telas pintadas a tinta óleo. A heroína da história é Candy, uma garota que fugindo da violência do pai e da chatice da escola, vaga pelos arredores de sua cidade e acaba ultrapassando uma passagem que a leva a uma outra dimensão, à um outro mundo.
Esse mundo, chamado Abarat, é formado por um arquipélago onde cada ilha representa uma determinada hora do dia e da noite. Seus habitantes são seres malucos fermentados pela imaginação do autor - uma ampla fauna onde cada elemento possui características próprias - divididos em dois pólos clássicos, os das luzes e os das trevas.
Nesse mundo estranho, Candy, portadora de uma chave mágica que ela desconhece a utilidade, viverá um conturbada aventura para garantir sua sobrevivência. Perseguida por seres do mal que buscam a dominação de Abarat, a garota contará a ajuda de uma série de fiéis amigos, que farão de tudo para protegê-la pois acreditam que ela representa a salvação do lugar.
A estrutura narrativa de ''Abarat'' é semelhante a outros tantos livros do gênero. Com o crescimento das forças do mal, as forças da luminosidade precisam enfrentar uma guerra para que o universo não entre num colapso provocado pela magia das profundezas. Para isso um herói, que não sabe muito bem sua função, será eleito pelo destino como possível salvador. Ao lado dele, alguns seres unirão suas forças numa aventura repleta de perigo e desafios regados a muita adrenalina e valores morais.
Ou seja, o argumento de Clive Barker é o mesmo de outras dezenas de obras. Geralmente colhido em elementos mitológicos de variadas culturas, na lendária jornada do herói. A única novidade de ''Arabat'' está na ampla galeria de personagens nascidos de um cruzamento entre a imaginação sem limites e o bizarro. Seres mirabolantes e curiosos que, ao lado dos desenhos do autor, tornam-se entretenimento de velocidade acelerada.
Serviço:
''Abarat'' de Clive Barker, Editora Cia. das Letras, tradução de Ricardo Gouveia, 440 páginas, R$ 49,00.

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