As transformações da arte são constantes e inevitáveis. Mas nunca foram tão extensas e inquietantes como nos últimos 150 anos - dentro da aclamada modernidade. O volume de movimentos artísticos e correntes estéticas que surgiram e se desenvolveram neste período não caberia em um único museu.
A Cosac & Naify está lançando uma obra que mapeia toda a vasta produção da arte moderna em seus múltiplos estilos. ''Estilos, Escolas & Movimentos - Guia Enciclopédico da Arte Moderna'', de autoria do historiador de arte Amy Dempsey, apresenta de maneira didática os 100 principais movimentos dos últimos 150 anos.
Amy Dempsey revela as principais características de cada movimento, os artistas mais representativos, as conexões com outras manifestações e seus desdobramentos. Apresentando os estilos de maneira cronológica, desenha um recorte da história da arte do ponto de vista da diversidade. O ponto de partida é o Impressionismo, que teve seu início em 1860, e que ao lado de outras vanguardas deu subsídios para as radicais transformações ocorridas ao longo do século 20. O ponto de chegada é a Web Art, um gênero estético em franca expansão no início do século 21.
''Estilos, Escolas & Movimentos'' é o tipo de obra que estimula várias possibilidades de leitura. Pode ser lido de maneira cronológica, de modo completamente aleatório e até mesmo de traz para a frente, sem nenhum comprometimento do conteúdo. De um modo ou outro, o leitor terá a possibilidade de vislumbrar mentalmente que o processo das transformações da arte representa as transformações do próprio homem e do mundo ao longo do tempo.
Se na primeira metade do século 20 as novas estéticas - expressionismo, cubismo, orfismo, construtivismo, futurismo, dadaismo e surrealismo, bauhaus, entre outras - lançam um enorme arsenal de possibilidade de arte, após a década de 40 esse arsenal é potencializado ao máximo com todo tipo de radicalidade. A arte existencial, o expressionismo abstrato, a arte beat, o neodadá, a arte funk, a arte pop e a arte perfomática conferem novos rumos e abordagens à própria idéia de arte.
Após os anos 60 essa tendência se acentua para dar origem ao minimalismo, a body art, o hiper realismo, a videoarte, a earth art e o pós-modernismo. Nessa direção, duas escolas, que tornaram-se referências da própria modernidade, merecem destaque: a arte conceitual e a instalação.
Um elemento que permeia grande parte dos movimentos ao longos das décadas é o deslocamento do conteúdo da obra de seu suporte, ou sua representação, para a idéia em que ela está fundamentada. Em outras palavras, as artes plásticas deixam de representar informações aos níveis de percepção visual para representarem idéias. A idéia torna-se obra e não a linguagem utilizada para torná-la visível.
Um dos grandes méritos de ''Estilos, Escolas & Movimentos'' não está apenas em oferecer informações concisas e enciclopédicas às centenas de estilos das artes plásticas, mas em representar, subjetivamente, como todas e possíveis inquietações humanas afloram através do caráter estético. Inquietações de visões de mundo que seguem as mudanças culturais, sociais e psíquicas. Trata-se do velho e surrado ditado que anuncia que para entender o homem e seu tempo basta ler a arte que ele produziu. Vale lembrar que o próprio conceito de arte está sujeito tanto às intempéries da história como às corredeiras da consciência. Em ambos os casos, a liberdade é a dama suprema.

Serviço:
- ''Estilos, Escolas & Movimentos - Guia Enciclopédico da Arte Contemporânea'' de Amy Dempsey, Cosac & Naify Edições, tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura, ilustrado, capa dura, 304 páginas, R$ 149,00.

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