Ele é praticamente uma unanimidade. Seu nome figura como um dos grandes mestres da fotografia do século 20. Mesmo numa época de registros digitais, o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson (1908 - 2004) continua encantando novas gerações com velhas imagens em branco e preto. Instantes que não estavam ao alcance de ninguém até serem captados por um olhar diferenciado.
De suas imagens nasceu o conceito de 'momento decisivo', componente que, ao longo das décadas, se tornaria a busca de grande parte dos fotógrafos. Nada mais que aquele instante exato de disparar o botão da máquina fotográfica. O instante único, captado por um único olhar.
A obra de Bresson acaba de ganhar uma retrospectiva idealizada pelo MOMA - Museu de Arte Moderna de Nova York através do livro 'Henry Cartier-Bresson - O Século Moderno'. Lançado no Brasil pela editora Cosac Naify em parceria com o MOMA, a obra tem sido considerada a mais reveladora da arte do fotógrafo francês.
Para organizar o livro, Peter Galassi, curador de fotografia do MOMA, teve acesso irrestrito aos arquivos do fotógrafo em poder da Fundação Henri Cartier-Bresson de Paris. O resultado é uma publicação que traz tanto imagens consagradas quanto inéditas e raras. São 450 fotografias acompanhadas de um ensaio onde o organizador joga novas luzes sobre a obra e a vida de Bresson.
Uma das novas abordagens presente em 'Henry Cartier-Bresson - O Século Moderno' está em colocar o fotógrafo não apenas como um artista, mas como um incansável fotojornalista. Um dos fundadores da lendária agência Magnus Photos, Bresson percorreu meio mundo realizando reportagens fotográficas. Entre as décadas de 30 e 60, percorreu regiões da China, Índia, Indonésia, Rússia, Estados Unidos, Japão, Europa e Oriente Médio, entre outros muitos territórios. Suas imagens eram publicadas em quase uma centena de revistas nas mais variadas partes do mundo. Os mapas completos de suas viagens integram um dos capítulos do livro.
A tese de Peter Galassi, após ter acesso aos documentos pesquisados, é de que Bresson foi um dos principais fotojornalista da história do século 20. Não apenas pela beleza das imagens que produzia, mas também por fotografar importantes e decisivos momentos históricos. Seus registros da Europa no pós-guerra, da Índia na época de sua independência, da China durante a revolução comunista, da Rússia após a morte de Stalin e dos Estados Unidos durante o crescimento econômico, oferecem um painel revelador das transformações da modernidade.
Em 1971 Henri Cartier-Bresson abandonou a fotografia como profissão e passou a se dedicar ao desenho até falecer em 2004, aos 96 anos de idade. Em suas palavras, sentia-se ôcansado da fotografia".
Serviço:
Henri Cartier-Bresson - O Século Moderno
Autor - Peter Galassi
Editora - Cosac Naify / MOMA
Tradução - Cid Knipel
Páginas - 376 (capa dura)
Quanto - R$ 185,00

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