LEITURA - O sonho de Alice
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de janeiro de 2010
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha2 
Ela é considerada uma das primeiras obras literárias escrita para crianças. Na realidade foi escrita para uma única criança, uma garotinha chamada Alice. O autor, o professor de matemática inglês Charles Lutwidge Dodgson (1832 - 1898), chamou a história de ''As Aventuras de Alice Embaixo da Terra''.
Quando decidiu publicar a história em forma de livro, em 1865, resolveu mudar no nome para ''Alice no País das Maravilhas''. Também resolveu mudar o próprio nome para Lewis Carroll. Fazendo o uso deliberado do universo onírico e do nonsense, a obra se tornou um dos grandes clássicos da literatura infantil.
Ao longo do tempo ''Alice no País das Maravilhas'' foi mais lida e apreciada pelos adultos do que pelas crianças. Transformou-se numa obra digna de culto pelos marmanjos. Nesse processo, as crianças ficaram com as montanhas de versões e adaptações direcionadas exclusivamente ao público infantil assinadas por nomes como Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Tatiana Belinki, Ana Maria Machado e José Paulo Paes.
A editora Cosac Naify está colocando nas livrarias uma nova tradução do texto integral de ''Alice no País das Maravilhas''. Uma edição que procura conquistar tanto os marmanjos como os pequenos com ilustrações do artista plástico Luiz Zerbini e tradução do historiador Nicolau Sevcenko.
A trama de ''Alice no País das Maravilhas'' é mais do que conhecida. A história de uma menina que durante a leitura de um livro chato, cai no sono e tem um sonho maluco onde tudo é possível, onde tudo é imprevisível e o absurdo ocupa lugar de destaque.
Vale lembrar que a edição referencial da obra de Lewis Carroll em português foi e continua sendo a tradução do texto integral realizada por Sebastião Uchoa Leite e publicada pela editora Summus. A primeira edição apareceu em 1977 e, ao longo das décadas, recebeu sucessivas reedições com o título ''Aventuras de Alice: No País das Maravilhas - Através do Espelho e o Que Alice Encontrou Lá''. Um dos grandes méritos do livro é trazer a continuação que Lewis Carrol escreveu para a história de Alice. Trata-se de outro sonho da menina, onde ela atravessa um espelho e encontra um mundo mágico do outro lado.
Lewis Carroll era um sujeito extremamente tímido e gago. Sentia-se mais a vontade com seus pequenos alunos, para quem criava divertidos jogos de matemática e lógica. Seu grande hobby era a fotografia. Sua especialidade era fotografar garotinhas em poses adultas e sensuais. Algo que hoje estaria a um passo da pedofilia. Uma de suas fotos mais conhecidas é justamente o retrato de Alice, a menina para quem Charles Lutwidge Dodgson escreveu ''Alice no País das Maravilhas''.
Serviço
- Alice no País das Maravilhas
Autor - Lewis Carroll
Editora - Cosac Naify
Tradução - Nicolau Sevcenko
Ilustrações - Luiz Zerbini
Quanto - R$ 45 (168 págs.)
Fragmento
- Estranhissérrimo, estranhissérrimo! - gritou Alice. (Ela estava tão assustada que, por um momento, esqueceu como se fala direito.) - Agora estou me esticando como o maior telescópio que já se viu! Adeus, pés! (Pois quando ela olhou para os pés, eles estavam tão distantes que pareciam quase fora de sua vista.) Oh, meus pobres pés, quem vai lhes calçar meias e sapatos agora, meus queridos? Acho que não conseguirei, pois vou estar longe demais para cuidar de vocês. Vocês terão de se virar como puderem.
''Mas é melhor eu ser boa com eles'', pensou, ''ou talvez eles não me levem aonde eu quiser! Deixe-me ver... Vou dar a eles um par de botas todos os anos no Natal.''
Ela se pôs então a planejar como faria isso: ''Devem ir pelo correio'', pensou. ''Como vai ser engraçado enviar presentes para os próprios pés! O endereço vai parecer tão esquisito...''
(Fragmento de Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll)


