Apesar de sua obra permanecer coberta de poeira nas últimas décadas, o baiano Jorge Amado ainda carrega nas costas, e com justiça, o título de um dos escritores mais populares de toda a história da literatura brasileira. Após seu falecimento em 2001, poucos dias antes de completar 89 anos de idade, surgiu um movimento em torno dos direitos autorais de seus romances.
Depois de intrincada negociação, a editora Companhia das Letras adquiriu os direitos de publicação da literatura de Jorge Amado que já rendeu dezenas de adaptação para o cinema, televisão e teatro. A partir do próximo dia 25 de março, a editora coloca em prática o projeto de republicação das obras completas do escritor e a realização de uma série de eventos preparativos para as comemorações do centenário de nascimento do autor, que acontece em 2012.
Com organização dos pesquisadores Alberto da Costa e Silva e Lilia Moritz Schwarcz, a ''Coleção Jorge Amado'' prevê a publicação de dez títulos a cada ano, de 2008 a 2010. Associada aos lançamentos, atividades educativas e culturais acontecem de maneira integrada, tanto destinada a professores no ensino de literatura quando ao público em geral. No próximo dia 25, em São Paulo, tem início uma série e palestras, leituras, exibições de filmes, shows musicais e mostras fotográficas. As atividades serão posteriormente estendidas para as cidades do Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte.
Os primeiros cinco títulos, ''Dona Flor e Seus Dois Maridos'', ''Capitães de Areia'', ''Mar Morto'', ''Tocaia Grande'' e ''A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua'', chegam às livrarias na próxima semana. Cada título vem acompanhado de textos em que diversos autores discorrem sobre cada uma das obras. Os primeiros são assinados por Ana Maria Machado, Milton Hatoum, Roberto DaMatta, Mia Couto e Afonso Romano Sant'Anna. Entre os nomes previstos para os próximos títulos estão José Saramago, Moacyr Scliar, Zuenir Ventura, Nelson Pereira dos Santos, Ana Miranda, Lygia Fagundes Telles, José Paulo Paes, Tatiana Belink, José Castello e Reginaldo Prandi, entre outros.
Jorge Amado (1912 - 2001) publicou seu primeiro romance, ''O País do Carnaval'', em 1931. Comunista de carteirinha, foi eleito deputado federal pela PCB em 1945. Após os anos 50, deixou a militância política de lado e começou a criar seus romances mais populares. Romances onde a miscigenação racial, a sensualidade e o sincretismo religioso da população brasileira ganharam destaque. A Bahia passou a ser cenário de todas suas histórias. Nesse período nasceram romances como ''Gabriela, Cravo e Canela'' (1958), ''Tenda dos Milagres'' (1969) e ''Tieta do Agreste'' (1977).

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