Características físicas, descrição de cada região e as mudanças que ocorreram na geografia, detalhes das civilizações. Religiões, o auge e a queda de cada império, escravidão, democracia, conflitos e guerras: tudo bem amarrado e entrelaçando uma história à outra. Este é o enfoque de ''Uma breve história do mundo'' lançado pela Editora Fundamento. O autor é o historiador Geoffrey Blainey - professor da Universidade Harvard e vencedor do prêmio International Britannica Award por seu trabalho na disseminação do conhecimento.
O livro contém índice remissivo que auxilia o leitor a encontrar um assunto facilitando, assim, a pesquisa. ''Uma breve história do mundo'' começa contando os desafios enfrentados pelos primeiros povos vindos da África há dois milhões de anos. Os chamados hominídeos viviam principalmente no Quênia, Tanzânia e Etiópia, e tinham o grande desafio de sobreviver apesar de serem em número bem menor que as espécies de grandes animais, alguns deles violentos. ''Na impiedosa competição por sobreviverem e se multiplicarem, os humanos geralmente tiveram sucesso'', conta o historiador.
O que para a sociedade hoje é visto como crueldade, para nossos antepassados era uma mera medida de sobrevivência. Tratar os doentes ou idosos era praticamente impossível, afinal, precisavam fazer longa caminhada para encontrar comida. Até bebês gêmeos, conta o autor, eram um grande transtorno e, provavelmente, um deles era morto. ''Uma sociedade móvel não tinha outra alternativa'', comenta.
O cérebro humano que ainda é um grande mistério para a sociedade é uma curiosidade enfocada pelo autor. Blainey conta que o homo erectus apresentava um cérebro maior, cerca de 900 centímetros, 400 a mais que os primeiros da espécie. O aumento do cérebro fez com que os humanos se adaptassem melhor a seu habitat.
Mais tarde, entre 500 mil e 200 mil anos atrás, o cérebro aumentou novamente de tamanho, e isso fez com que o humano começasse a ter habilidade motora e de fala. ''Um cérebro maior parecia estar associado a uma crescente habilidade em usar as mãos e os braços, e ao lento surgimento de uma linguagem falada'', explica.
Apesar dos dois milhões de anos de história contados nas 270 páginas, Blainey consegue apresentar minúcias que despertam interesse quanto à origem da humanidade, tornando o livro mais instigante. Ele lança mão de uma narração comparada a uma saga cinematográfica e preserva detalhes como a forma que Jesus Cristo encontrou de valorizar o sal, menosprezado pelo povo naquela época, utilizando-o no batismo.
Por sinal, o cristianismo é bastante abordado pelo historiador, comentando que a religião era ''formatada'' de acordo com interesses. ''Por pelo menos quatro séculos, o cristianismo era como um metal quente despejado de fornos em moldes de formatos variados. Os moldes eram mudados repetidas vezes, de forma que se os primeiros seguidores de Cristo tivessem voltado a viver novamente, não teriam reconhecido muito bem muitas das crenças e rituais da Igreja que eles tinham ajudado a fundar'', avalia.
A importância da navegação, das grandes invenções como a bússola, dos exploradores, a primeira e segunda guerras mundiais e, como consequência, a necessidade de desenvolver foguetes e chegar à lua e os avanços da tecnologia: Blainey vai ligando um fato ao outro, analisando a história e interesses de cada época até chegar aos dias atuais.

SERVIÇO:
- Uma Breve História do Mundo, de Geoffrey Blainey. Editora Fundamento, 272 páginas, R$ 38,50

Fragmento

Os avanços na tecnologia aumentaram o poder dos líderes ou grupos específicos. Há dez mil anos, o líder de uma tribo era raramente capaz de exercer influência a mais de 100 quilômetros de casa (...)
Há dois mil anos, nenhum império podia se estender tão longe. Hoje, como nunca antes, é possível uma nação forte controlar o mundo inteiro.
Nos dois próximos séculos, à medida que o mundo continue se encolhendo e suas distâncias diminuindo, uma tentativa bem poderia ser feita, a de se instalar um governo mundial.
(Fragmento de ‘‘Uma Breve História do Mundo’’, de Geoffrey Blainey)

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