Imagem ilustrativa da imagem LEITURA - A visualidade da escrita
| Foto: Gustavo Carneiro
Para Dias-Pino, a inspiração é uma grande bobagem, ele incorpora a matemática e a cartografia na sua criação : "Todo meu trabalho está na materialidade das coisas, na materialidade da palavra e das imagens"



Quem percorre os corredores da 32ª Bienal de São Paulo, que se encerra no próximo dia 10 de dezembro, encontra uma obra de Wlademir Dias-Pino intitulada "Enciclopédia Visual Brasileira". Trata-se de um inventário de imagens manipuladas reunidas em 1001 volumes. Iniciada em 1970, a obra está em construção até os dias de hoje e só será considerada concluída com o falecimento de seu autor.
"Enciclopédia Visual Brasileira" oferece uma ideia da produção do poeta carioca Wlademir Dias-Pino que, próximo de completar 90 anos de idade, esteve em Londrina participando do Londrix 2016 – Festival Literário de Londrina.
Um dos expoentes da vanguarda da poesia que floresceu no país na década de 1950 com a poesia concreta, fez da semiótica a matéria-prima de suas criações. Chegou a participar, ao lado de Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari, da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta de 1956, mas se distanciou no movimento para seguir o caminho da visualidade da escrita, utilizando a semiótica como referência básica.

Poema Infinito de Wlademir Dias-Pino
Poema Infinito de Wlademir Dias-Pino



Na década de 1960 criou dois conceitos que ofereceram novas possibilidades para a poesia brasileira: o poema-processo e o livro-poema. Dias-Pino defende o poema como processo, não como obra. Tanto o poeta quanto o leitor participam da construção do poema que não se encerra com sua impressão no papel. Sua materialidade segue em frente enquanto ideia. O livro-poema carrega mais radicalidade: só existe no espaço do livro para qual ele foi pensado. A materialidade do espaço se incorpora ao poema e poema se incorpora na materialidade do espaço.
Para Dias-Pino, a inspiração é uma grande bobagem: "Todo meu trabalho está na materialidade das coisas, inclusive na materialidade da palavra e das imagens". Para ele, a poesia deve partir da razão, não da intuição ou das emoções. O fato de incorporar em seus poemas a matemática e a cartografia acentua o caminho da lógica.
Wlademir Dias-Pino faz uma incisiva distinção entre poema e poesia. Para ele, as duas coisas seriam completamente diferentes. O senso comum seria o responsável por colocar poema e poesia num mesmo pacote de sinônimo. Em suas palavras, a distinção é clara: "o poema pode ser rasgado, a poesia não".

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