Wilmar Klein
De Curitiba
Especial para Folha2
No domingo retrasado, assinei, aqui na Folha, texto sobre o movimento @rromba, cujo objetivo é promover o intercâmbio entre as bandas alternativas de Curitiba e, a partir da constituição de uma cena independente forte e organizada, aumentar a ‘‘visibilidade’’ e os espaços de atuação desses grupos. Dentro do mesmo espírito, a Organização JK (nome bem-humorado para os esforços de duas garotas, Janaína Casarine e Karen Piovam) está viabilizando, em parceria com o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Paraná, a terceira edição do Festival Leite Quente.
Agendado para os dias 27 e 28 de novembro (sábado e domingo), no câmpus do Centro Politécnico da UFPR, o evento reunirá 22 bandas locais (boa parte delas composta por integrantes do @rromba), que estarão tocando das 14 às 22 horas. (Como a experiência demonstra que shows de bandas alternativas nunca terminam no horário previsto, o melhor mesmo é dizer que o evento não tem hora para terminar.)
Nas duas etapas do festival, cada banda tem cerca de 30 minutos para se apresentar, havendo um intervalo de 10 minutos entre um e outro show. Democráticos – e, portanto, tratando as atrações com igualdade –, os organizadores haviam marcado para este final de semana, durante reunião com as bandas, o sorteio para definir o dia e o horário de cada apresentação. Vinte grupos já estão confirmados. São eles (em ordem alfabética): Anti-Kaos, Cartoon, Chateau Lunar, Cores D Flores, Los Cuervos (banda convidada), Estigma, Impfrog, Jack Flash, João-Sem-Braço, King Kong de Conga, Oaeoz, Ovos Presley, Plastic Fish, Prozac, Stanley Dix, Striq, Whir, Zigurate e Ziriguidum Pfóin. (Um parênteses: Estigma e Stanley Dix – juntamente com Atomic Burp, Dry Clamour, Monurb 116 e Perjúrio – estarão tocando hoje, a partir das 17 horas e com entrada franca, no Lino’s Bar, na esquina da Rua Augusto Stellfeld com Alameda Cabral.) Além de Los Cuervos, foram convidadas para a edição deste ano do Leite Quente outras três bandas – Catalépticos, Davi Black e Primal –, cujas apresentações ainda dependem de confirmação.
Janaína e Karen (que também contam com a participação de Fábio Otto na organização do evento) informam que não serão cobrados ingressos e o festival é aberto ao público em geral (e não apenas aos estudantes da UFPR), mas pedem que cada pessoa que comparecer traga um quilo de alimento não perecível, pois, além de divulgar a cena alternativa curitibana, o Leite Quente tem finalidade beneficente, engajando-se na luta para diminuir o problema da fome entre as pessoas carentes.
Outras atrações
No ano passado, quando Janaína e Karen assumiram a organização do Leite Quente, o festival, ‘‘praticamente sem nenhuma divulgação’’, reuniu cerca de 2 mil pessoas. Neste, as garotas esperam um público de pelo menos 8 mil pessoas. E têm boas razões para isso: mais experientes, desenvolveram um projeto de orçamento ‘‘enxuto’’ (pouco mais de R$ 12 mil), mas bem elaborado, que abrange os itens aparelhagem e palco, instalação de uma lona de circo, segurança, telão, cartazes e fliers, estrutura com pista de dança comandada por DJs e, ainda, bungee jump, pistas de skate, apresentações de grupos de capoeira, malabares e performers. De quebra, a gravação de um CD (tiragem inicial de mil
cópias) com os melhores momentos do festival.
Viabilizar tudo isso com apenas R$ 12 mil é algo do tipo milagroso, mas vi a planilha de custos e ela me pareceu convincente (o que, por outro lado, também serviu para convencer-me de que tem muita gente superfaturando os custos de certos eventos). É claro que para tudo sair conforme o planejado os custos deverão ser cobertos com a venda de cotas de patrocínio. É justamente nisso que as organizadoras do Leite Quente estão empenhadas, mas garantem: ‘‘O festival vai acontecer, de qualquer jeito. O mínimo que precisamos é da lona de circo, do palco e da aparelhagem, e isso jáá está sendo providenciado.’’ Nem precisa dizer que as bandas, a Organização JK, o DCE e os demais envolvidos vão trabalhar de graça. Mas é por aí mesmo: boa vontade, uma boa causa e muita disposição fazem milagres.

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