FRAGMENTO
Leia a seguir um trecho do artigo ‘‘Arte e Futebol’’, de Ugo Giorgetti
‘‘Tivemos um Palmeiras e Corinthians na decisão do último Campeonato Paulista que tinha tudo para se tornar um dos jogos mais chatos da história do futebol de São Paulo. Já se sabia o resultado antecipadamente, um dos dois times tinha uma tarefa quase impossível, ou seja, vencer outro por uma larga diferença de gols. Como todos sabiam que a tarefa era virtualmente impossível, o campeonato se encaminhava para aquela ‘festa’ tão querida das televisões e dos patrocinadores.
Só que futebol não é uma festa. Ou, talvez seja uma festa peculiaríssima, como certos rituais antigos, mágicos, cheios de paixão, quase incompreensíveis. Pelo menos até agora, esses dados essenciais do espetáculo não foram de todo extirpados da mente dos jogadores de futebol que intuindo obscuramente que aquele jogo ia ficar no mais completo esquecimento, resolveram subitamente, imprevisivelmente transformá-lo no inesquecível espetáculo que deveria ser.
Iniciada por Edílson e logo em seguida desenvolvida por Paulo Nunes armou-se uma briga magnífica, abrangente, generalizada, ela sim digna de uma grande final e não o previsível jogo que a antecedeu. A briga imortalizou aquele jogo. Fala-se nela até hoje e vai se falar dela por muito tempo. Um jogo do qual não se esperava nada emergiu para a história do futebol. A torcida foi recompensada com o que o futebol tem de mais rico e original: o inesperado.
Viu-se o que não se previa ver. E o título, ganho pelo Corinthians, adquiriu um atributo de grandeza e dignidade. Vai ser conhecido como o título que foi ganho naquele dia, daquela grande briga com o Palmeiras.’’

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