Lei reserva vagas em universidades
Os índios paranaenses estão conseguindo estudar em instituições de ensino superior graças a convênios com faculdades particulares e principalmente à reserva anual de três vagas em cada uma das seis universidades estaduais.
O primeiro vestibular destinado especificamente aos estudantes indígenas foi realizado ano passado, baseado na Lei Estadual 13.134/01. Este ano, 57 índios disputaram as 18 vagas disponíveis, elevando para 28 o número de índios estudando em universidades públicas estaduais. Dos aprovados em 2002, oito desistiram do curso. Os principais motivos seriam dificuldades financeiras e a suposta diferença entre o nível de aprendizagem dos índios em relação ao demais estudantes.
A lei prevê bolsas de estudo mensais no valor de R$ 250,00, mas uma demora no repasse dos recursos - oriundos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - resultou em atrasos de até cinco meses de pagamento (que voltou a ser depositado na última semana). Para o caingangue Ivan Bridi-Bridi Rodrigues, 27 anos, estudante de Direito na Universidade Estadual de Maringá (UEM), esses e outros problemas podem ser evitados no futuro, com a atuação da associação. ''Nós temos a mesma capacidade que qualquer estudante. Mas é preciso destacar que, além da assimilação das disciplinas, o índio precisa se adaptar ao ambiente do campus, à vida na cidade e muitas vezes ao próprio linguajar acadêmico'', explicou Rodrigues, que assumiu a vice-presidência da Aiup.
Leis federais também oferecem benefícios ao índios (veja quadro). Para o orçamento deste ano, a União previu recursos específicos para fiscalização de terras indígenas (R$ 6 milhões), capacitação de professores que lecionam em aldeias (R$ 310 mil) e ainda a manutenção de Casas de Estudantes Indígenas (R$ 400 mil). Parte do dinheiro será disponibizada pelo Fundo de Combate à Pobreza e deve ser distribuído ainda neste semestre. (Emerson Dias)





