Hoje é dia de festa para a classe artística paranaense. A Lei Estadual de Incentivo à Cultura foi aprovada por unanimidade em segunda discussão anteontem na Assembléia Legislativa e deverá entrar em vigor a partir de 2001. Para que isso aconteça, a Lei só precisa agora ser sancionada pelo governador Jaime Lerner.
‘‘Eu acredito que não leve mais do que uma semana para isto, já que o governador não tem nenhum interesse em vetá-la’’, afirma o deputado Ângelo Vanhoni (PT), autor do projeto inicial da Lei, apresentado há cerca de quatro anos. Vanhoni lembra que quando a Lei Municipal de Incentivo à Cultura foi instaurada, o atual governador era prefeito de Curitiba. ‘‘De lá para cá foram oito anos de sucesso constatado’’, comenta.
Vanhoni diz que é muito difícil entender porque o Paraná ainda não tinha uma Lei de fomento à cultura, enquanto que na maioria dos estados brasileiros já existe similar legislação há quatro ou cinco anos. ‘‘Acho que a partir de agora haverá um florescimento na cultura do Paranᒒ, conclui.
Ele elogia a mobilização e a força da classe artística paranaense, que nos últimos meses se uniu em prol da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o que teria garantido a agilidade de todo o processo e sua posterior aprovação.
O compositor Cláudio Ribeiro, integrante do Fórum Permanente de Arte e Cultura do Paraná, também comenta o atraso do Paraná em relação a outros estados brasileiros na questão cultural. Cauteloso, ele diz que a vitória é expressiva, mas que só será totalmente confirmada após a Lei ser sancionada pelo governador e publicada no Diário Oficial.
Sem esconder a satisfação, entretanto, ele afirma que toda a classe artística saiu fortalecida. ‘‘A nossa mobilização mostrou que quando a sociedade se organiza os avanços se tornam possíveis’’.
Um dos responsáveis por esta união foi o iluminador Beto Bruel, que há cinco meses iniciou um abaixo-assinado pedindo a aprovação da Lei. Ele conseguiu reunir cerca de dez mil assinaturas em todo o Estado e o resultado foi encaminhado para a Assembleía Legislativa. ‘‘Acho que tudo o que fizemos foi válido para pressionar a aprovação’’, comenta. ‘‘Sentimos que com a união, qualquer coisa é possível’’.
O seu anseio agora é de que realmente haja mais participação do governo do Estado na cultura. ‘‘Quase todos os espetáculos que têm sido montados são feitos através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. O Estado não tem participação em nada’’, critica.
Dono de uma empresa de iluminação cênica que emprega 15 técnicos, e com experiência de 30 anos em teatro, Bruel diz acreditar que a Lei Estadual venha a ser grande geradora de trabalho. ‘‘Haverá mais serviço e empregaremos mais pessoas’’.
A atriz, diretora e produtora cultural Regina Vogue concorda. Ela explica que através da nova Lei as companhias poderão produzir mais e os espetáculos serão mais grandiosos, o que representa requisição de mão de obra maior.
Aos 40 anos de carreira, Regina se considera uma das artistas mais beneficiadas até hoje com a Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o que a deixa extremamente otimista com o futuro das artes cênicas do Estado. ‘‘Acho que será o início de uma grande retomada para nós’’, comemora.

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