O número de propostas apresentadas para concorrer aos benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura demonstra o amplo leque de produções que podem sacudir Londrina no ano de 2002. São 405 propostas muitas delas inéditas nas mais variadas áreas, que aguardam avaliação e aprovação da comissão de análise formada pela Secretaria da Cultura. Antes desse processo, no entanto, é necessário o empreendedor regularizar a situação de seus projetos. 54% deles precisam ser regulamentados e hoje é o último dia para acertar a documentação exigida em edital. Os que não entregarem os ítens solicitados estarão fora da avaliação.
Este ano, o valor total dos projetos ultrapassa os R$ 8 milhões, para um montante disponível de R$ 1,5 milhão (renúncia fiscal para o incentivo). Desse total disponível, 70% dos projetos podem ter valores de R$ 1.000,00 a R$ 25.000,00 e 30% das propostas podem ser superiores a R$ 25.000,00. A produção de menor valor inscrita é de R$ 1.800,00 (festejos) e a maior é de R$ 178.516,85 (artes plásticas).
Como sempre, as áreas que mais têm projetos apresentados são música (114) e teatro (71). São cerca de 60 projetos de produção e montagem de espetáculos teatrais, mais de 50 shows, espetáculos e atuações musicais e 35 gravações de CDs, além de oficinas, eventos, cursos e seminários nessas áreas.
Em seguida aparecem projetos de Literatura (52) e Cultura Integrada e Popular (36). Nessa última área, os festejos populares têm grande representatividade, com 12 propostas, como a 5 Festa da Mandioca, 7 Festa Nordestina, 6 Festa da Leitoa, Festa do Gado/Boi no Rolete, Festa do Trabalhador Rural e Festa do Galeto. Também estão relacionadas propostas em mais 11 áreas (ver relação completa nesta página).
O projeto ''O Idoso no Carnaval'' (Artesanato/Cultura Popular Integrada), apresentado pela museóloga Selma Duarte Ferraz, é um trabalho inédito com cerca de 60 grupos cadastrados na Secretaria Municipal do Idoso. ''Esse trabalho vem mostrar uma nova caminhada do idoso para viver mais feliz, articulando suas experiências com a nova geração'', diz. A proposta é preparar os grupos para o Carnaval de 2003. Serão realizadas várias oficinas desde a história do Carnaval passando por enredo, fantasia e bateria, até a formação de uma escola de samba. ''Agora é esperar para ver a lista dos aprovados'', diz Selma, que espera a divulgação do resultado de avaliação.
Outro projeto que aguarda o edital de aprovados é o ''Intermangá Evento Anual de Mangá e Anime'' (histórias em quadrinhos e desenhos animados japoneses). A organizadora do evento, Beth Kodoma, conta que o projeto prevê a realização de oficinas e concurso de desenho, gincanas, concurso de cosplay (pessoas que vestem fantasias de personagens de animes, mangás ou games), palestras, workshops e exposição de trabalhos. O evento foi realizado este ano, em menor escala, durante a programação do Casa Japão. ''Agora queremos fazer um evento específico, por isso inscrevemos o projeto'', comenta.
Estreando na Lei de Incentivo, apesar de ser um projeto de 1987, o Momulu de Aluê tem como proposta a montagem ''Nas Ondas Curtas, Médias e Longas do Rádio e da TV'' (Cultura Integrada e Popular), uma retomada do trabalho do grupo. A responsável pelo projeto, Darlene Kopinski, conta que o Momulu nasceu às vésperas do centenário da abolição da escravatura, com a proposta de criar um espaço de discussão para o negro, fazendo um resgate da cultura afro-brasileira e abordando as ansiedades das comunidades da periferia de Londrina.
Depois de sete anos de atividade, o grupo foi desmontado em 1994 por falta de recursos. Hoje, 43 pessoas da comunidade moradoras das zonas Norte, Sul e Oeste estão prontas para participar do projeto, um intercâmbio de experiências que prevê oficinas de preparação e montagem de um espetáculo que une dança, teatro e canto. ''O trabalho brinca com programas de rádio e televisão, mostrando a possibilidade de mudar a visão que a sociedade como um todo tem das pessoas que moram na periferia'', explica.
A comissão de análise vai priorizar a produção essencial de cada projeto e terá liberdade para avaliar e interferir na essencialidade proposta no custeio, com base no benefício e no preço de mercado. Ou seja, os projetos estão sujeitos a cortes ou readequações no orçamento. ''Essa é uma perspectiva colocada desde a realização da 1 Conferência Municipal de Cultura'', diz Valdir Grandini, da Secretaria de Cultura. ''O conceito de incentivo é válido para o essencial da produção''.

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