Lei de Incentivo contempla 142 projetos em Londrina
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sábado, 12 de janeiro de 2002
Francelino França 
A vida cultural londrinense em 2002 promete ser agitada, de acordo com o edital de propostas culturais aprovadas na Lei Municipal de Incentivo à Cultura, divulgado na tarde de ontem. Dos 406 projetos inscritos, 142 foram autorizados a captar R$ 1.526,728,44 disponibilizados. A vocação musical de Londrina se refletiu no número de projetos aprovados no setor, num total de 39, absorvendo R$ 555.936,53. A área de patrimônio cultural deu um salto quantitativo e qualitativo nesse ano, obtendo seis propostas aprovadas. Os valores unitários dos projetos variam de R$ 1 mil (Festa do Trabalhador Rural) até R$ 37.672,40 (9º Festival Unicanto de Corais).
Comparativamente ao ano anterior, os projetos estavam melhor elaborados e articulados. Esse aprimoramento, segundo Dora Barnabé, integrante da comissão que avaliou os projetos, é fruto dos debates na 1ª Conferência de Cultura, como também resultado da orientação prestada pela incubadora de projetos culturais e à instalação da Rede da Cidadania. Mesmo assim, conforme informou Valdir Grandini, coordenador da incubadora, muitos empreendedores precisam corrigir a rota de elaboração de projetos, pois algumas propostas estavam centradas no discurso, pecando no desenvolvimento do projeto.
Outro diferencial desse ano, é que os grandes peixes do setor não apresentaram projetos, como o Filo e Festival de Música de Londrina. Em virtude da importância desses eventos, eles serão incluídos no filão de projetos estratégicos. A contrapartida social incluída no edital desse ano deve redimensionar a forma de atuação dos empreendedores culturais, pois além do projeto apresentado, muitos ofereceram como contrapartida a realização de oficinas e espetáculos em escolas.
A comissão se preocupou quando sugeriu os cortes em manter a essencialidade do projeto, ressaltou Dora Barnabé, sobre as readequações orçamentárias. Esse ano, os recursos foram canalizados para os itens considerados essenciais para a realização dos projetos. Com isso, houve cortes consideráveis em muitas rubricas. Os cortes nos recursos solicitados aconteceram na parte de divulgação, como a confecção de programas, cartazes, banners. Grandini destaca ainda que o valor aprovado se refere ao desenvolvimento do trabalho e não para custear todo o projeto. O Secretário Municipal de Cultura, Bernardo Pellegrini, lembra que para esse ano mais de 30 projetos estratégicos da instituição devem entrar em pauta, chegando a quase 200 o número de projetos acontecendo na cidade.
Com 142 projetos, atingindo o teto de R$ 1.526 mil o custo-benefício de muitos deve continuar em desvantagem. Isso porque Londrina está carente de espaços culturais, principalmente teatros para a concretização adequada dos espetáculos. Os espaços adaptados não oferecem condições ideais aos grupos. O Cine-Teatro Ouro Verde deve entrar em reforma nesse ano, a agenda do Teatro Zaqueu de Melo está sobrecarregada, restando o Teatro Núcleo I, com 90 lugares, e o Circo Funcart. Nos projetos desse ano foram incluídos o Teatro do Hotel Crystal, o Teatro Cultura, Associação Médica de Londrina, o Sesc Fernando de Noronha e uma das Salas do Centro de Ciências Humanas (C.C.H.), na Universidade Estadual de Londrina.
No ano passado, a vida útil de boa parte dos espetáculos teatrais variou entre 12 e 20 apresentações. A carência de espaços contribui sensivelmente para temporadas curtas. A Secretaria de Cultura precisa encarar esse problema e apresentar uma solução de como vamos dar sustentação a esses projetos, pondera Pellegrini.
Com a divulgação dos projetos incluídos no edital de aprovação da Lei de Incentivo, a incubadora de projetos culturais deve orientar os empreendedores que não atingiram o limite pretendido a buscar complementação de recursos na Lei Rouanet e na Conta Cultura. São projetos que tem possibilidade de se desdobrarem, observa Grandini. Esse tipo de orientação, segundo ele, será estendida aos empreendedores cujos projetos não foram contemplados, que podem ser encaminhados à rede da cidadania, por exemplo. Os projetos reprovados, assim como os pareceres da comissão de avaliação, podem ser retirados na Secretaria de Cultura a partir do dia 28 de janeiro.
O músico Henrique Bittencourt inscreveu dois projetos para 2002: Alfabetização Musical para Crianças Carentes e O Cruzamento. Somente o último foi contemplado. A proposta inicial solicitava a captação de R$ 25 mil e poderá captar R$ 16 mil. Esse projeto prevê o lançamento de um CD com a participação de vários músicos da cidade de distintas vertentes musicais. Agora preciso rever os custos, provavelmente não vai dar para todos músicos participarem, analisa.
A relação completa dos 142 projetos aprovados está disponibilizada no site ww.bonde.com.br/folhadelondrina


