Legado parnasiano
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
Nelson Sato <br> Reportagem Local 
O pioneiro londrinense Mário Romagnolli (1905-1991) deixou uma vasta obra poética inédita que agora, graças à iniciativa de seus familiares, começa a vir a público.
O livro ''A Doce Vingança do Poeta'', coletânea organizada pelo jornalista e escritor José Antônio Pedriali, é o primeiro projeto editorial destinado a recuperar seus versos não publicados. O lançamento será amanhã, às 20h, na praça central do Cemitério São Pedro.
A obra é um complemento da biografia romanceada ''Poeta da Rebeldia'', publicada no ano passado e em que Pedriali, neto do poeta, narra passagens da vida de Romagnolli. A ideia de resgatar os poemas, segundo ele, é uma tentativa de manter o legado do avô vivo para as novas gerações. ''São cerca de 5 mil poemas escritos à mão em cadernos, organizados caprichosamente e deixados com os filhos. É um desperdício conservá-los apenas entre os familiares. A arte tem que se disseminada. Espero que esta seja a primeira de uma série de coletâneas'', diz.
Em vida, o poeta pioneiro publicou quatro livros independentes de reduzida tiragem. Um ou outro texto desses volumes foi incluído na coletânea, que reúne cerca de 300 poemas separados por temas como ''Natureza'', ''Romantismo'', ''Prosa e Verso'', ''Universo'', ''Enigmas'', ''Espiritualidade'', ''Personagens'', ''Crítica Social'' e ''Sátiras''.
Passando ao largo do modernismo, Romagnolli seguia a cartilha do parnasianismo com respeito rigoroso à métrica e à rima. ''Ele não concebia poesia de outra forma'', salienta Pedriali. Nascido em Minas Gerais, Romagnolli desembarcou em Londrina em 1938, como membro do Partido Integralista, de cunho nacionalista e católico.
Após romper com a Igreja Católica, aderiu ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) tornando-se espiritualista e maçom. Ingressou na política londrinense na década de 1940, sendo eleito duas vezes para a Câmara de Vereadores (1947 e 1951) e candidato derrotado para a Prefeitura em 1955. Frustrado com a política, descobriu a poesia aos 40 anos.
''Ele sempre quis escrever, mas não conseguia traduzir suas inspirações em versos até que um dia a primeira poesia veio-lhe num sonho e ele não parou mais, escrevendo até o fim da vida'', lembra Pedriali, que pretende criar uma fundação para preservar e divulgar o legado do avô, além de conseguir patrocínio para a publicação de suas obras completas.
A coletânea ''A Doce Vingança do Poeta'' foi viabilizada com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e chega às prateleiras pela Atrito Editorial. De acordo com o organizador da obra, a data e o local do lançamento não foram escolhidos aleatoriamente. ''Meu avô faria 107 anos nesta quinta-feira e ele e toda sua família tiveram grande ligação com o cemitério São Pedro'', explica.
Romagnolli foi proprietário da primeira marmoraria de Londrina, que ficava em frente ao local, do qual era o principal fornecedor de material. Não por acaso, o lugar ostenta hoje um edifício com o nome do poeta. ''O cemitério nos assusta, mas é nosso destino inevitável, pelo menos para quem crê na finitude da matéria. O cemitério São Pedro, particularmente, encerra em suas sepulturas muitas histórias individuais dos pioneiros do município'', diz.
A noitada de lançamento amanhã contará com apresentação musical da banda Terra Celta e leitura de poesias com o grupo Aarpa.
Serviço:
- Lançamento do livro ''Mário Romagnolli - A Doce Vingança do Poeta''
Quando - Amanhã às 20h
Onde - Cemitério São Pedro (entrada pela R. Alagoas), em Londrina


