Legado intelectual
Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Um dos mais representativos artistas plásticos brasileiros, Loio-Pérsio tem, depois de quatro anos de atraso, publicado um livro sobre sua vida e obra. Loio é paulista de Tapiratiba e viveu em Curitiba na década de 40. A publicação foi coordenada e editada pelo designer Francisco Faria. Os textos foram redigidos por Vera Regina Vianna Baptista. Em Curitiba não haverá lançamento. O livro A Arte do Loio-Pérsio deverá ser enviado para instituições culturais do Brasil. Exemplares também estarão à disposição na loja da Casa Andrade Muricy e na Livraria Ghignone.
O livro tem 128 páginas e traz fotos de diversas obras de diferentes fases do artista. As fotografias foram realizadas com o apoio de diversas entidades públicas e privadas, que cederam suas obras, cromos e fotolitos. Na verdade, o primeiro convite partiu do Ennio Marques Ferreira em 1990. Seria para uma retrospectiva de toda minha obra. A princípio recusei por achar muito difícil localizar, recuperar e catalogar tanta coisa. Mas o convite se repetiu e o Ennio foi até meu ateliê no Espírito Santo e trouxe muita coisa. Mas, passaram-se cinco anos e o livro não saía. Tive de ameaçar entrar com uma ação na Justiça. E assim mesmo, levaram quatro anos para editar esse trabalho, conta Loio-Pérsio.
O artista é reconhecido por repudiar todo tipo de dirigismo ou interferência e qualquer concessão à moda, por cooptação ou coação dos marchands e da imprensa especializada. É um artista profundamente empenhado na pesquisa dentro de sua especialidade. Considera os problemas da pintura não apenas pictóricos, mas ideológicos, e sempre desenvolveu um caminho próprio, coerente com seu temperamento e formação, dentro do movimento abstracionista.
Loio-Pérsio Navarro Vieira Magalhães nasceu em 2 de novembro de 1927 mas viveu os primeiros anos no interior de Minas Gerais, época em que o avô materno o ensinou a usar esquadros e compasso.
Nessa época, ainda menino, sentia atração especial pelas formas e cores das coisas que o rodeavam. Veio com a família para Curitiba, em 1943 e estudou no Colégio Paranaense. Mais tarde, instalou-se, junto com outros artistas, num ateliê na Praça Tiradentes.
Foi o início de uma carreira artística de múltiplas facetas. Além de pintor, Loio-Pérsio também é escritor. Lançou em 1948, o semanário Século, com a proposta de coordenar e orientar talentos dispersos.
Procurou entrosar-se com o ambiente jornalístico e chegou a atuar como repórter policial do jornal A Tarde. Em 1950, Loio-Pérsio participou do 55º Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. A partir de então foi morar em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, convivendo com outros artistas, entre eles Di Cavalcanti. Loio teve uma vida extremamente agitada e foi um cosmopolita. Lecionou em diversas universidades européias, recebeu incontáveis prêmios, participou de inúmeras exposições e salões de artes.
O mercado de arte sempre encontrou em Loio-Pérsio um analista perspicaz, de linguagem direta e contundente, seriamente preocupado com o controle da produção artística. Sempre defendeu uma atitude crítica permanente do artista, não somente em relação à sociedade e ao Estado, mas especialmente em relação a si próprio, uma atitude de liberdade necessária à preservação de sua autonomia como trabalhador intelectual.A vida e a obra de Loio-Pérsio são retratadas em obra dirigida a instituições culturais brasileiras
ReproduçãoOs trabalhos de Loio-Pérsio apresentam um conteúdo questionadorReproduçãoAs obras de Loio obedecem a um temperamento ideológicoReproduçãoLançamento traz fotos e reproduções de diversas fases do artista





