Você ainda vai ouvir falar muito de Odair José ao longo deste ano. E não só porque ele deve fazer um show memorável amanhã, em Curitiba, dentro da programação do evento ao ar livre Quadra Cultural. Aos 62 anos, o cantor goiano está prestes a lançar um novo disco, ''Praça Tiradentes'', que já vem sendo apontado como uma das prováveis grandes surpresas da temporada musical.
Produzido por Zeca Baleiro, o registro taz canções próprias e de figuras como Arnaldo Antunes, Chico César e Carlinhos Brown. Todas escritas especialmente para Odair e sem perder de vista seu arco temático de cronista urbano. Um universo marcado por amores conturbados, relacionamentos entre pessoas de realidades diferentes, temas tabu, etc.
''Há dois anos o Zeca me convida para fazer esse disco. Mas eu achava que não era necessário, até porque meu repertório já é muito grande. Gravei mais de 400 músicas e 30 discos nestes 41 anos de carreira. Só aceitei agora porque realmente acredito que escrevi algumas músicas boas'', diz o artista, em entrevista por telefone para a reportagem da FOLHA.
Segundo Odair, o álbum o transporta para o início da década de 70, fase em que gravou seus trabalhos mais importantes - e clássicos do calibre de ''Cadê Você'', ''Eu Vou Tirar Você Deste Lugar'' e ''Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pílula), entre outros. ''É quando eu fui melhor. E o engraçado é que o público jovem também prefere esses meus cinco primeiros anos de carreira'', afirma.
Os jovens, por sinal, formam a base de sua audiência atualmente. Um ''descobrimento'' que começou em meados dos anos 2000, quando uma nova geração de músicos passou a reverenciar o cantor. É dessa época o disco-tributo com participações de bandas como Pato Fu, Picassos Falsos, Mombojó, Jumbo Elektro, Poléxia e Terminal Guadalupe.
''Continuo conhecido entre o público popular e de idade mais avançada. Mas o Odair José não é mais o foco deles. No momento, são os jovens que vão aos meus shows, e fico muito feliz por isso. Porque é o jovem que sai de casa, não o velho'', diz o artista, que na última segunda-feira tocou para uma multidão ao Rec-Beat, espécie de carnaval alternativo de Recife.
Questionado sobre os anos em que viveu à margem da mídia, Odair responde em tom de autocrítica. ''Em um determinado momento, eu não fui tão competente, atento, focado. E daí surgiu um espaço. Mas o interesse dos jovens fez eu perceber a minha música de outra forma. Hoje, estou redescobrindo meu repertório e subo no palco para tocar com uma satisfação enorme''.
SERVIÇO
Os grupos Djambi, Decafonis, Supercola e Gente Boa da Melhor Qualidade também se apresentam na Quadra Cultural, que acontece na rua Paula Gomes, no bairro São Francisco. Nesta quarta edição, o evento ainda conta com recitais de poesia, apresentações teatrais e até um desfile de moda. A programação é gratuita e começa às 14 horas. Para saber mais acesse www.quadracultural.com.br.

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