O grande prêmio das Américas, o mais importante do 25º Festival de Cinema Mundial de Montreal (Canadá), foi dividido, na noite de anteontem, entre o iraniano ''Baran'', de Majid Majidi, e o húngaro ''Torzok'' (Abandonados), de Arpad Sopsits.
Tratando dos refugiados afegãos no Irã, Majidi (''Crianças do Paraíso'') venceu pela terceira vez o festival. Por sua vez, Sopsits fez uma poderosa reconstituição, entre Dickens e Jean Vigo, do cotidiano de um orfanato na Hungria socialista.
O drama familiar brasileiro ''Lavoura Arcaica'', que marca a estréia em longa-metragem de Luiz Fernando Carvalho (''Os Maias''), recebeu o prêmio de ''melhor contribuição artística''. Trata-se do quarto principal prêmio do único festival competitivo norte-americano classificado na ''classe A'', segundo a Federação Internacional de Produtores de Cinema.
''O prêmio representa para nós mais uma brecha que se abre na grande luta de resistência da produção brasileira'', disse Carvalho à reportagem. ''O que é contribuição artística?'', perguntou Carvalho para a platéia durante o discurso de agradecimento, para logo responder: ''Acho que é uma semente poderosa na luta pela recuperação da imaginação no cinema''.
Secundário, mas importante, o troféu fez jus à ousadia da adaptação do romance homônimo de Raduan Nassar. Reencena-se, numa família de origem libanesa do interior de São Paulo nos anos 40, a parábola bíblica da volta do filho pródigo.
O simpático melodrama argentino ''El Hijo de la Novia'' (O Filho da Noiva), de Juan José Campanella, comemorou o grande prêmio especial do júri e o de melhor filme latino-americano.
Também duplamente premiado foi a elegante e precisa adaptação por Claude Miller de um romance de Ruth Rendell, rebatizado ''Betty Fisher et Autres Histoirés'' (Betty Fisher e Outras Histórias). Além do prêmio da crítica, levou o de interpretação feminina para o trio de protagonistas, Sandrine Kiberlain, Nicole Garcia e Mathilde Seigner.
Celebrado com o foco especial do ano, o cinema alemão teve seus três de seus quatro concorrentes premiados. Oliver Hirschbiegel foi eleito melhor diretor pelo kafkiano ''Das Experiment'' (A Experiência). Robert Stadlober ficou com o de melhor ator pelo drama adolescente ''Engel & Joe'', de Vanessa Joop. Por fim, o favorito do público foi a versão fílmica da telessérie ''Der Tunnel'' ( O Túnel), em que Roland Suso Richter reconstitui a história real de uma rota secreta de fuga construída por baixo do Muro de Berlim.

mockup