Um aviso para quem quiser assistir à peça ‘‘Os Cantos do Maldoror’’, com a Companhia de Teatro Os Satyros, em Curitiba: o teatro onde se desenrola o espetáculo fica num local desconhecido, na periferia da cidade. Como chegar lá? Um ônibus apanha o público em frente à sede da companhia e leva-o para uma casa isolada na mata.
À primeira vista parece uma coisa esquisita, mas para os atores nem tanto. Afinal o espetáculo trabalha com o caráter ritualístico, portanto a capa de mistério e magia que cobre a encenação é tão-somente um elemento necessário para a complementação do todo.
Maldoror é um herói atormentado. Ele vive em constante busca de autoconhecimento; anseia a conquista seja do universo ou de sua própria independência. Para isso tem que enfrentar inimigos à sua volta ou, pior ainda, aqueles que traz dentro de si. O último desafio é a sua própria consciência moral, que morre e renasce num ir e vir constante sob a forma de fantasmas.
Os cantos de Isidore Ducasse, o Conde de Lautréamont, morto ainda muito jovem em 1870 (tinha 24 anos), consta de seis partes (Cantos I a VI), subdivididas em estrofes. Cada uma dessas estrofes tem aparência de um poema em prosa; o conjunto soa como uma narrativa épica.
Ivam Cabral, responsável pela adaptação do texto, respeitou a linguagem grandiloquente e rebuscada do autor para contar a trajetória de Maldoror. Uma trajetória feita de dor e morte: na sua maioria seres indefesos ou frágeis adolescentes, impiedosamente abatidos pelo seu torturador.
Maldoror tem cenário clean, composto por uma caixa preta, com três palcos interligados. Os figurinos são compostos a partir de imagens industriais, pinturas de Bosch, Magritte, de Chiricco e Dali. A direção geral é de Rodolfo Garcia Vazquez.Roberto Reitenbach/DivulgaçãoPatrícia Vilella em cena de ‘‘Os Cantos de Maldoror’’, encenada pela Companhia de Teatro Os Satyros‘‘Os Cantos de Maldoror’’, de Lautréamont, na montagem do grupo Os Satyros, é encenado em uma casa na mata para onde os espectadores são levados em ônibus especial

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