Em turnê de lançamento de sua nova trilogia iniciada com “Escravidão: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares – Volume I”, o jornalista e escritor paranaense Laurentino Gomes participou de um bate-papo com leitores e autografou exemplares, na noite de terça-feira (17), na loja das Livrarias Curitiba, no Shopping Catuaí. Uma plateia atenta e curiosa questionou Gomes sobre o trabalho de pesquisa e buscou mais detalhes sobre o tema. “Esse contato com o leitor é muito intenso e faço isso desde quando lancei '1808'. É uma total exposição ao público e é impressionante. Existe uma relação de muita intimidade mediada pelo livro. Muitas vezes, as pessoas me abraçam, choram e ficam completamente emocionadas. No começo eu achava muito estranho, mas hoje acho uma delícia. Se um dia eu parar de escrever, muito provavelmente eu vou sentir falta”, afirmou Gomes em conversa com a FOLHA.

Laurentino Gomes: "Esse contato com o leitor é muito intenso, muitas vezes as pessoas me abraçam, choram e ficam completamente emocionadas"
Laurentino Gomes: "Esse contato com o leitor é muito intenso, muitas vezes as pessoas me abraçam, choram e ficam completamente emocionadas" | Foto: Amanda Truss Maciel/ Divulgação

O público presente era composto de uma grande variedade de interessados. Estudantes, professores e um significante número de negros, ávidos pela oferta de informações do livro. Este era o caso da advogada Janaine Salviano, que não havia se interessado pelas outras obras de Gomes. “O fato de ele ser um homem branco, o seu trabalho sobre a escravidão tem uma chance de ser alcançado por um número muito maior de leitores. O que é importantíssimo”, afirmou Salviano. Antes de ler a obra, a advogada falou sobre a sua expectativa. “Nós, negros, temos uma grande dificuldade em refazer a trajetória de nossos antepassados. Obras como essa são muito úteis para trazer luz para a nossa história”, ponderou.

Já a professora Fátima Hitomi, apesar de não trabalhar com a disciplina de História, quis participar do lançamento para aumentar seu conhecimento. “Tenho uma curiosidade muito grande sobre o assunto, vejo a oportunidade que este livro pode trazer para a sociedade em compreender um tema tão importante para o nosso País”, afirmou Hitomi. A opinião corrobora a explicação dada pelo próprio autor para a plateia. “Existe um olhar negro e um olhar branco sobre o tema, mas eu procuro me encaixar num olhar atento. Respeitoso”, explicou Gomes.

Antes de vir para Londrina, Laurentino Gomes havia passado por Curitiba, cidade onde se formou em jornalista, e na quarta-feira (18), promoveu o mesmo evento em Maringá, sua cidade natal, onde ansiava encontrar amigos e parentes. O evento no Paraná mexe com suas emoções. “É muito intenso, tem a família, os amigos, os colegas de profissão. Dá um nó na garganta. Foi aqui que aprendi a ler e escrever”, conta. Na ida à Curitiba, ele fez uma visita à mãe, Maria, que hoje tem saúde muito frágil. “Meu pai já morreu há 25 anos, mas ela está doente. Mostrei o livro para ela. O interessante é que dediquei esse livro aos dois, que foram agricultores pobres, estudaram pouco. Exatamente por isso, estar aqui como um autor reconhecido nacionalmente é algo bastante forte”, contou. “Não é todo mundo que tem essa chance e tenho que aproveitar intensamente”, concluiu.

Lançamento do livro em Londrina reuniu um público atento e diversificado
Lançamento do livro em Londrina reuniu um público atento e diversificado | Foto: Amanda Truss Maciel/ Divulgação
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