São Paulo, 05 (AE) - Após cinco anos sem fazer uma exposição individual na cidade, Laura Vinci inaugura amanhã (06) à noite na Galeria Camargo Vilaça, em São Paulo, uma mostra reunindo cinco obras recentes, nas quais dá continuidade à investigação que está permanentemente presente em sua produção: a relação entre a escultura e o espaço que a circunda. "Todo o meu percurso está relacionado a algo fora da escultura; vejo o espaço como um grande corpo denso", explica a artista.
Laura lembra que essas questões já constavam em suas investigações anteriores, como nas finíssimas e longas peças de ferro que realizou no início da década ou nas estranhas formas finas e rasteiras que parecem esgueirar-se no ambiente. Para ela
o interesse não está na forma que o material assume, mas em sua relação com o entorno. "O contato da escultura com o espaço é pelo atrito, pela acomodação das massas; a escultura tem de forçar sua entrada, sofrendo em consequência a ação desse corpo que é o espaço", explica a artista.
Apenas um dos trabalhos expostos na galeria dá sequência às experiências que a artista desenvolveu com a areia, na terceira edição do Arte/Cidade. Ela realizou um dos trabalhos mais interessantes do evento, evocando a idéia de passagem do tempo graças a uma espécie de grande relógio de areia que utilizava dois pavimentos do velho Moinho Central. Laura também apresentou uma peça que contrapunha o movimento da areia à solidez atraente do mármore durante a Bienal del Barrio, no Museu de Brasileiro de Escultura. Nas outras quatro obras, a idéia de movimento e de transição também foi eliminada, tornando o trabalho ainda mais limpo.
Sua atração pelo espaço também está por trás de outro trabalho de sua autoria, elogiadíssimo pela crítica. Trata-se do cenário da peça "Cacilda!", de José Celso Martinez Corrêa. "Na verdade, o que eu fiz foi limpar o teatro, deixando aquela estrutura limpa", conta. Na escultura, sua intervenção também é mínima. As peças brutas de mármore que vai buscar no Espírito Santo não são esculpidas, no sentido mais preciso do termo. Laura trabalha apenas a superfície posterior do trabalho, criando curvas e reentrâncias que reproduzem o efeito da ação da gravidade sobre o material.
Também há no trabalho uma certa ironia, como se fosse possível que o peso do ar pudesse deixar marcas tão profundas. Laura explora, assim, a sensualidade do material sem deixar nenhuma marca de sua intervenção. Foto ou pintura? - Paralelamente à exposição de Laura Vinci, a Galeria Camargo Vilaça organizou uma mostra da alemã Uta Barth, uma das pioneiras do uso da distorção na fotografia. "Eu chamo o que ela faz de pintura", diz o marchand Marcantonio Vilaça, explicando que a artista radicada em Los Angeles utiliza a técnica fotográfica com maestria para criar imagens pictóricas que pouco têm a ver com uma representação da realidade.
Ele ressalta que mesmo nas obras aparentemente mais nítidas, a definição existente no primeiro plano da imagem vai se desfazendo, até transformar o fundo da foto numa completa bruma. Vilaça reconhece que o trabalho de Uta pode parecer bastante banal nos dias de hoje, mas afirma que ela tem uma "qualidade, uma fatura, difícil de ser equiparada". "Quis fazer essa exposição não para revelar um novo nome, mas para apresentar ao público brasileiro o início desse trabalho e a obra de uma artista já consolidada no mercado internacional", diz. Serviço - Laura Vinci. De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, até 14 horas. Galeria Camargo Vilaça. Rua Fradique Coutinho, 1.500, São Paulo. tel. 210-7066. Até 30/7.

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