Recife, 19 (AE) - Laudo da perícia técnica do Instituto de Criminalística (IC) do Recife, divulgado hoje, aponta falta de segurança e instalações inadequadas no Circo Vostok, montado na área externa do Shopping Guararapes, no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes (PE). A perícia foi realizada na noite do dia 09, quando o menino José Miguel Fonseca dos Santos Júnior, de seis anos, foi atacado e morto por um leão durante intervalo do espetáculo.
De acordo com o diretor do IC, Paulo Tadeu Vasconcelos, houve "total" falta de segurança na área do picadeiro, onde não havia ninguém para orientar e impedir que as pessoas passassem perto da jaula. Os peritos apontaram cinco pontos falhos: ausência de placas de advertência, ausência de cerca entre a jaula e o público, espaçamento entre as barras horizontais da jaula de 1,10 metros quando o ideal seria 50 centímetros, espaçamento entre os varões verticais de 10 centímetros quando esta distância deveria ser de 3,5 centímetros e amarrações precárias das partes que formavam o túnel que ligava a jaula-carro à jaula no picadeiro. Estas amarrações foram feitas com cordas e fio de nylon e não com material metálico.
Paulo Tadeu não quis comentar a culpabilidade do circo diante do resultado do laudo. Mas observou que "contra provas não há argumento". Ele encaminhou o laudo ao delegado Washington Luiz, que preside o inquérito policial do caso que deverá ser concluído na próxima semana. Por enquanto, apenas o domador do circo, Claudinei Pires da Rocha, autuado em flagrante
foi indiciado. Ele pagou fiança e responde ao inquérito em liberdade. O circo foi interditado, mas recorreu à Justiça e voltou a funcionar no sábado.
Acidente - Juninho, como era chamado o menino, o pai José Miguel Fonseca dos Santos, a irmã Mirela, de três anos, e o primo Alisson Pablo, de 10, voltavam da parte de trás do picadeiro - onde foram fazer fotos com pôneis que haviam se apresentado - durante intervalo do espetáculo, às 19 horas. Para chegar às suas cadeiras, passaram ao lado da jaula que havia sido recém-instalada na arena e se encontrava vazia. De repente, surgiu um leão que pegou Juninho pelo braço e conseguiu puxá-lo para dentro da jaula, envergando os varões de ferro da grade. Um segundo leão atacou em seguida. Ele teve o pescoço quebrado, o braço direito decepado e as vísceras expostas.
Para Paulo Tadeu, se a distância entre os varões horizontais da jaula fosse menor, os varões verticais não teriam envergado e a criança poderia ter sido salva. "No máximo o garoto poderia ter perdido uma mão ou um braço", afirmou. O advogado da família do garoto, Jaime Menezes, ainda não entrou com a anunciada ação indenizatória contra o Circo Vostok e o Shopping Guararapes. "Estamos juntando elementos e documentos"
afirmou. Ele pretende pedir "não menos de R$ 2 milhões" pelas perdas materiais e morais causadas com a morte da criança.

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