A classe C foi o foco da Record na maioria de seus investimentos na teledramaturgia nos últimos anos com tramas populares e de fácil entendimento, como ''Amor e Intrigas'', ''Prova de Amor'' e ''Vidas Opostas'', entre outras. A estreia de ''Balacobaco'', nova novela da emissora, a partir de 4 de outubro, na faixa das 22h15, resgata esse clima popularesco e mais descontraído.
A trama tem como missão recuperar a audiência que se diluiu com a complexidade e densidade de ''Máscaras'', encurtada em cinco meses. A história é repleta de cores em seus cenários, com tomadas de locais paradisíacos no Rio de Janeiro e explora diversos personagens focados na comédia e leveza suburbana, característica marcante das tramas de Gisele Joras.
A autora aposta mesmo na mistura de gêneros para tentar afastar o ibope insatisfatório amargado pela antecessora, que fecha com média de apenas seis pontos. ''Essa trama tem humor, mas também tem romantismo, ação, vilanias... Escrevo pensando em quem chega em casa e quer se divertir e relaxar'', resume Gisele, sempre contida, economizando nas palavras para descrever o novo trabalho.
À primeira vista, a história lembra muito o último folhetim da autora, ''Bela, A Feia''. Primeiro, pelos exageros nos tons coloridos nos cenários. Mas principalmente pelo misto de cenas de humor quase pastelão - com trambiqueiros, vilãs caricatas e ''cartunescas'' e namoradas tendo crises cômicas de ciúmes - com as tomadas de ação já bem exploradas pela emissora.
Logo nos primeiros capítulos, ''Balacobaco'' apresenta uma mocinha que pula de um carro em movimento, vilãs adolescentes que roubam um automóvel e capotam e uma lancha que atropela e mata dois personagens. ''Temos uma narrativa mais ágil que o usual. Eu e Gisele temos uma grande afinidade. Quando vejo seu texto, consigo visualizar as cenas imediatamente. Pensamos parecido, rola química'', valoriza o diretor geral Edson Spinello, que já dirigiu ''Bela, A Feia'' e ''Amor e Intrigas'', ambas da autora.
A Record não chega a falar em números de investimentos, mas os detalhes fazem parecer que se trata de uma superprodução da empresa. Para retratar o bairro do Catete, perto do Centro do Rio, onde se passa boa parte da trama, a emissora construiu uma cidade cenográfica com cerca de 3 mil m2. ''É a maior já construída por nós. Isso reafirma o nosso compromisso em fazer e mostrar um serviço de qualidade'', frisa o novo diretor de teledramaturgia da rede, Anderson Souza, que substituiu recentemente Hiran Silveira na função.
Além disso, a equipe conta com 40 cenários montados para a produção, o que dá uma média de quase um para cada personagem. Afinal, ''Balacobaco'' conta com cerca de 50 atores no elenco. No total, são 350 pessoas envolvidas na produção da novela.
Além dos atores já contratados pela emissora e da recente renovação com Bárbara Borges, a Record garantiu, como de costume, novos nomes ''puxados'' da concorrência. Do SBT, trouxeram Thais Pacholek, que foi durante um bom tempo a ''menina dos olhos'' de Sílvio Santos. Conhecidos pelos trabalhos na Globo, chegam Victor Pecoraro, Mariah Rocha, Rafael Zulu e Wagner Santisteban.
Além deles, ''Balacobaco'' também marca a estreia de Antonia Fontenelle no canal. Mulher de Marcos Paulo, a atriz tem projetos consagrados no teatro, como a produção e atuação no espetáculo ''Vidas Divididas'', de Maria Adelaide Amaral, e também assinou o argumento e a produção de elenco do sucesso nacional de bilheteria ''Assalto ao Banco Central''. ''Claro que foi uma forma de provar que não preciso ser mulher de diretor. Não existe esse cordão umbilical e não está escrito em lugar nenhum que só posso fazer novela na Globo. Muito menos do meu marido'', esbraveja a atriz, que interpretou a professora de dança Kátia na temporada de 2009 de ''Malhação''.

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