Lapidando pérolas brasileiras
LAPIDANDO PÉROLAS BRASILEIRAS
DivulgaçãoNana Caymmi apresenta o show No Coração do Rio, acompanhada pelo maestro e pianista Cristovão BastosA cantora Nana Caymmi apresenta-se hoje no Teatro Paiol com lotação esgotada, mas reclama que não recebe convite para teatros maiores
Zeca Corrêa Leite
Na quarta-feira passada a bilheteria do Teatro do Paiol tinha um único ingresso para hoje do show de Nana Caymmi, No Coração do Rio. Alguns bilhetes ainda restavam noutro ponto de vendas, na loja Kopenhagen, do Shopping Curitiba. Em razão da grande procura, a cantora foi consultada naquela mesma tarde se aceitava fazer uma terceira sessão do espetáculo. Não aceitou. Não sou mulher de bilheteria, disse para a Folha2.
Feliz e de bem com a vida, Nana vem a Curitiba apresentar um espetáculo que traz o repertório de seu último disco, No Coração do Rio, gravado ao vivo no Teatro Rival. A localização da casa, no centro da cidade, motivou o título do show e do CD, mas como diz a artista, sou uma cantora brasileira.
Usando do trocadilho, comentou que se o rio for caudaloso, melhor ainda. Ela estará no coração do Amazonas, assim como em todos os outros Estados que a receberem. Essa imensidão nacional tem um paredão no sul. O sul é separatista, nunca sou convidada para cantar aí, reclamou. É uma tristeza que seja assim.
Se ela canta dois dias em Curitiba é por obra e graça de uma amiga, Laís, que insiste para sua vinda. Aí sobra-lhe o Paiol, teatro bonitinho, engraçadinho, um bonequinho, mas onde só cabem 200 pessoas. Nana tem na ponta da língua os teatros da cidade, do Guairão ao Ópera de Arame. Por que não a convidam para um auditório de mil lugares?
Ficar fazendo pingadinho é terrível, continuou a cantora. Se os empresários acham que ela não tem público, então o jeito é não voltar mais para cá. Gostaria de ser mais bem tratada como artista. Com a morte de Aramis Millarch, ficou faltando um pedaço aí na cidade. Para mim ficou.
A chateação de Nana é meramente profissional. Como o dinheiro é pouco, reduz a presença dos músicos (vem acompanhada do maestro e pianista Cristovão Bastos), ainda assim oferecendo um salário imbecil. Com 35 anos de carreira e ciente da posição que conquistou no ranking nacional, a cantora exige uma postura que aqui ela não tem.
Cantar num teatro de arena é para quem está começando, disparou. Não estou abandonando o barco, mas não faço mais show como este. Irei a Curitiba por causa dos meus fãs, que são fidelíssimos.
Tirando a bronca, o que fica? Bem, fica Nana Caymmi e um repertório que endoideceu a platéia do Rival, no Rio de Janeiro, nos dias 7 e 8 de julho do ano passado. Esse show que se transformou em seu segundo disco ao vivo (o primeiro foi no Festival de Montreux, com Wagner Tiso) e que levou o crítico Mauro Ferreira a escrever que Nana é uma cantora absoluta e necessária no coração do Brasil popular.
Para a afortunada platéia do Teatro do Paiol, a intérprete vai se derramar sobre pérolas brasileiras, lapidando-as com sua voz. Algumas delas: Acontece, Saia do Caminho, Último Desejo, Carinhoso, Chão de Estrelas, Folhas Mortas e, ainda, Só Louco, música do pai que a acompanha por todos os palcos. Mesmo no Paiol.
Nana Caymmi em No Coração do Rio - hoje e amanhã, no Teatro do Paiol, em Curitiba, às 21 horas. Ingressos: R$ 10,00.





