Mario CesarSilvana Leão
Réplicas de jóias antigas, confeccionadas a partir de pesquisas arqueológicas pelo ourives londrinense Marcos Guerra, estão em exposição até o final do mês no Espaço Cultural Catuaí. São brincos, gargantilhas, anéis e pingentes, entre outras peças, inspiradas no trabalho de antigos artesãos e resgatadas principalmente através da literatura.
Mario CesarColares em prata com pingentes que são porta-perfume: união do útil ao beloFrutos da paixão e curiosidade do ourives pela arqueologia, algumas jóias remetem a civilizações que, inclusive, já foram extintas, como por exemplo a cultura etrusca. ‘‘Faço réplicas arqueológicas ou simplesmente monto uma peça, juntando um pouco do que vou vendo e aprendendo destas culturas’’, explica Guerra, que confessa não ter tido muita intimidade com os livros na época de escola e acabou entrando para o ramo de confecção de jóias meio por acaso.
‘‘Conheci um ourives no interior de São Paulo, que acabou me passando as primeiras noções do ofício. Trabalhei pouco tempo com ele, mas foi o suficiente para me contaminar’’, diz. De volta a Londrina, Marcos Guerra gastou os últimos anos ‘‘aprendendo a dar jeito’’ em tudo o que lhe apareceu pela frente e lapidando o talento para uma atividade às vezes ingrata, pouco valorizada nestes tempos de produção em série.
Mário CesarMarcos Guerra em sua oficina. ‘‘Peças antigas oferecem um jogo de combinações infinito’’As peças que saem de sua oficina são artesanais, e com exceção dos casos em que o próprio cliente determina o modelo desejado, jamais são encontradas em qualquer loja da cidade. Ricas em detalhes e donas de uma rara beleza, as jóias baseadas na História são para quem sabe que o valor destes ornamentos vão muito além do preço do ouro na cotação do dia. ‘‘Às vezes passo semanas, meses até, trabalhando em um única peça’’, revela o ourives.
Mario CesarTrabalho do ourives ressalta a beleza dos metais e das pedrasPara ele, as verdadeiras obras de arte encontradas na literatura oferecem um jogo de combinações infinito, e acabam servindo de fontes de inspiração para peças de design moderno. ‘‘Um cálice, por exemplo, como levar à criação de um bracelete, um brinco, e assim por diante.’’
A maioria das jóias concebidas por Guerra são em ouro, material que compensa mão-de-obra tão aprimorada, e em pedras preciosas (brilhante) e semi-preciosas, como algumas pedras brasileiras. Quando faz opção pela prata, prefere a importada, que oferece qualidade a um preço mais convidativo.

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