O artista plástico Luciano Boletti abre amanhã, na Sala Celso Garcia Cid, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina, exposição de desenhos de sua mais recente produção. A mostra faz parte do Projeto Sala Celso Garcia Cid, desenvolvido pela Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina. Pode ser visitada até dia 8 de novembro.
Nesta exposição, Boletti estará mostrando 15 desenhos em crayon, grafite, carbone e acrílica sobre papel tratados. Nenhum trabalho recebeu título, fato comum em seu trabalho. ‘‘Não quero limitar o pensamento. O observador deve ficar à vontade para interpretar a obra de acordo com seus referenciais’’ - diz. Mas, para quem acompanha a carreira do artista, nascido e residente em Primeiro de Maio, as obras têm um quê familiar: seus desenhos trazem, assim como a pintura, elementos recorrentes: a pesquisa do traço num gestual orgânico.
Porém, ao contrário do trabalho de cores vibrantes que apresentou no final do ano passado, no Espaço de Cultura Banestado, em Londrina, nesta mostra a cor - apenas o amarelo, o preto e o branco - entra como mais um elemento do desenho. ‘‘Estou retomando, com este trabalho, alguns estudos anteriores, onde as linhas são mais espontâneas. Aqui estão formas que foram surgindo e sobre as quais trabalhei exaustivamente’’ - afirma.
Segundo ele, as possibilidades que o desenho e pintura anteriores trouxeram foram abrindo novos leques de pesquisa, numa lapidação de imagens. Com requinte visual, as obras criam um jogo lúdico e inauguram uma nova vertente em seu trabalho: o desenho da pintura. ‘‘Até o ano passado, eu seguia uma linha de estudos cujos desenhos levavam à pintura. Nesta, eu coloco a questão: até que ponto o meu desenho não é uma pintura?’ - explica.
Usando o suporte e técnicas tradicionais do desenho - papel, crayon, grafite e carvão - Boletti, porém, ultrapassa a bidimensionalidade do desenho e sobrepõe planos que colocam em discussão o que é fundo e o que é figura. Seus desenhos percorrem ‘‘caminhos’’, entram e saem do suporte numa dinâmica particular, formando peças autônomas porém complementares umas às outras, numa espécie de quebra-cabeças distorcido. ‘‘As formas, em meu trabalho, parecem estar sempre em busca de uma continuidade. É algo que sempre acontece em meu trabalho, parece que saem de uma obra para outra. Se forem colocadas juntas, elas quase que se tocam e criam novas formas, diferentes, inusitadas’’ - diz.
Nos traços do atual trabalho, Boletti mostra o momento em que está vivendo. Mais maduro e com uma segurança própria de quem descobriu para si um caminho, o artista apresenta traços mais firmes e ‘‘fortes’’ sem, porém, esconder também o lado frágil e tortuoso daqueles que verdadeiramente se questionam a cada passo. Boletti mostra, mais uma vez, porque é um dos artistas paranaenses mais reconhecidos do momento.
• Exposição de desenhos de Luciano Boletti - abertura amanhã, às 20h30, na Sala Celso Garcia Cid do Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina. A mostra fica aberta até dia 8 de novembro e pode ser visitada de segunda a sexta, das 9 às 12 e das 14 às 17 horas. Monitorias podem ser agendadas pelo telefone (043) 322-6844.Dorico da SilvaLuciano Boletti: ‘‘O observador deve ficar à vontade para interpretar a obra de acordo com seus referenciais’’Telma Elorza

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