Langres, encantos cercados por muralhas
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quarta-feira, 07 de agosto de 2002
Nathalia Molina<br> Agência Estado 
No auge do iluminismo, Diderot e D'Alembert fizeram a ''Encyclopédie''. As idéias contidas nos 17 volumes acabaram por inspirar a Revolução Francesa. Langres, no extremo sul de Champagne-Ardenne, se orgulha de ser a terra de Denis Diderot (1713-1784), que por ali virou nome de rua e praça. Mas, dentro dos quatro quilômetros de muralha que a cercam, a cidade de 10 mil habitantes guarda mais encantos do que ser a terra do filósofo.
Chega-se a sentir uma emoção diferente ao caminhar pelas ruas de Langres, de tão bonitas que são. As construções nos estilos gótico, renascentista e clássico começam a desenhar a história da vila assim que você cruza a Porta dos Moinhos (inaugurada em 1647). Com 470 metros de altura, é a entrada principal da cidade murada na frente dela, está o restante de Langres, expansão que começou no fim do século 19. Ao atravessar a Porta, vire para trás. Repare na imagem da Virgem Maria, proteção contra guerras e doenças. Há mais santos na fachada de várias casas.
Langres fica em cima de uma colina. Debruçado no alto da muralha normalmente vê-se até 20 quilômetros à frente. Em dias bem claros, a visão é deslumbrante no lado que está à direita da Porta dos Moinhos. Dizem que o horizonte se alonga e aparecem ali os alpes suíços e o topo do Mont Blanc. Não fique triste se não conseguir vê-los. Há muito para ser explorado de costas para o muro, originalmente mais alto. A forma atual data do século 19 quando os militares diminuíram a altura da construção da Idade Média e tiraram a cobertura do caminho da ronda.
Ao longo dos séculos, a vila viu outras mudanças em sua estrutura. No século 16, com a descoberta da pólvora, o rei mandou erguer seis torres para protegê-la da artilharia pesada dos inimigos. A Torre de Navarre é a mais imponente delas. Os registros dão conta de que iniciou-se a obra em 1512 para substituir outra torre de 1430. Uma beleza a rampa de subida, com esculturas nas colunas, e a estrutura de madeira que segura o telhado.
Antes de chegar lá, passe pela Casa Renascentista, perfeita representação do estilo arquitetônico. Do meio do século 16, chama a atenção pela fachada, pontuada por colunas e vitrais. Já a Catedral de Saint-Mammès, que começou a ser erguida no século 12, mostra a transição da arquitetura românica para a gótica. É bonita por dentro, mas o destaque está mesmo do lado de fora. Olhe para cima: não pode passar despercebido o telhado em mosaico, influência da Borgonha.
Quem visita essa região vizinha pode incluir Langres no roteiro. No departamento de Haute-Marne, a cidade se localiza no extremo sul, a 278 quilômetros de Paris. Ou seja, está bem mais perto (a 60 km) de Dijon. Mas, se sua viagem for apenas em Champagne, não deixe Langres para a próxima vez. Seria uma pena. Afinal, a gente nunca sabe quando poderá voltar à França.


