ReproduçãoAra Ketu
O álbum anterior do Ara Ketu vendeu – segundo dados da gravadora – mais de 1 milhão de cópias, garantindo o disco de diamante. O grupo agora tenta o repeteco lançando, pela Sony, ‘‘Ara Ketu e o Povo ao Vivo de Novo’’. O álbum começa com o axé ‘‘Ara Ketu Dez’’ e os tradicionais gritos de ‘‘tira o pé do chão’’. Mas a tendência comercial se revela mesmo com ‘‘Minha Razão de Viver’’, faixa romântico-açucarada em que a banda mergulha no pagode com aranjos pop. O texto de divulgação afirma que ‘‘não será difícil chegar novamente às cifras milionárias’’. Já dá para ter uma idéia das pretensões do CD. O repertório traz um pot-pourri funk/soul com ‘‘Descobridor dos Sete Mares’’ (Michel/Gilson Mendonça), ‘‘Demônio Colorido’’ (Sandra de Sá) e ‘‘Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)’’ (Tim Maia). Outro pot-pourri desenterra a lambada com ‘‘Isso é Bom’’ (Michel Nerplat), ‘‘Preta’’ (Beto Barbosa) e ‘‘Dançando Lambada’’ (Zé Maria).



ReproduçãoJosé Victor & Adhemir
A música sertaneja se tornou um rótulo que abriga duplas com tendências pop, country, rock e brega. O interessante é que o gênero reúne justamente os clichês mais evidentes de cada influência. Assim, de um acumulado de lugares-comuns, resulta uma fórmula de sucesso. Outra mania é regravar em português versões da música pop americana que se destacaram nas rádios. A preocupação em galgar as paradas de sucesso é evidente e suplanta a qualidade musical apresentada. A dupla José Victor & Adhemir, que está lançando um álbum pela gravadora Albatroz – com distribuição pela Eldorado – segue essas características. O repertório traz faixas como ‘‘Triste é a Noite’’, versão de ‘‘Lonely is the Night’’ (Albert Hammond/Diane Worren), e ‘‘Choro Mesmo sem Querer’’ (Negro Cosmo). A dupla regravou também ‘‘Boiadeiro Errante’’ (Teddy Vieira), talvez a melhor faixa do disco.

Falcão
A música brega começa a reivindicar ares de ‘‘movimento’’ – por intermédio de siglas como MPBrega – e o momento é oportuno para Falcão lançar um manifesto em defesa do gênero em seu último CD, ‘‘500 Anos de Chifre’’, que está saindo pela Abril Music. O texto ocupa parte do encarte e, como é característico do autor, traz mais gozação que conteúdo. Por trás do non sense – que neste trabalho diminuiu consideravelmente – há forrós, boleros e outros estilos forrados com clichês explicitamente cafonas. Não é à toa que ele reivindica o título de ‘‘o brega do brega’’. Para quem gosta do estilo, Falcão acerta ao acrescentar humor à sofrível voz anasalada – mas nem todas as brincadeiras funcionam. Quem não curte muito, é preferível manter distância e poupar os ouvidos. Além de músicas inéditas há interpretações como ‘‘Lá Vai Ele’’ (Alípio Martins/Marcelle) e ‘‘Taxista’’ (Adelino Nascimento).

ReproduçãoMariah Carey
Mariah Carey é uma das cantoras que mais vendeu em toda a década – só no Brasil foram mais de 1 milhão de discos. A evidência continua com o lançamento de ‘‘Rainbow’’, pela Columbia/Sony Music. Misturando hip hop com romantismo e música pop, o disco é um prato cheio para FMs em geral. A maioria das composições é da própria Carey, feitas inicialmente para o filme ‘‘All that Glitters’’, um projeto da Sony para o final do ano que vem. Em ‘‘Rainbow’’, Mariah Carey demonstra sua extensão vocal – ela garante chegar a cinco oitavas – em composições típicas do pop americano, com vários agudos – herança da influência gospel. Apesar do sucesso, Mariah Carey traz uma produção regular que transita nos lugares-comuns da música comercial norte-americana. O repertório inclui uma versão de ‘‘Against All Odds (Take a Look at me Now)’’, de Phill Collins, e participação especial de Usher, Snoop Dog e Joe & 98 Degrees.

ReproduçãoOlodum
O Olodum está comemorando 20 anos com o disco ‘‘A Música do Olodum’’, lançado pela Sony Music. O grupo, dedicado às referências afro-brasileiras da Bahia, possui uma percussão característica, com uma suntuosidade que, em estúdio, perde um pouco de vigor. Mesmo assim a batida é saliente. Mas, se o Olodum se dá bem na percussão e como entidade em prol da cidadania, deixa a desejar nas composições. Do afro de origem tribal, o grupo se enveredou pela música pop e se aproximou da axé music, após influenciá-la. O resultado é um apanhado de letras digeríveis, como se os fonemas fossem uma extensão rítmica dos tambores. A melodia, então, fica desguarnecida. Entre os sucessos, o disco traz ‘‘Lua de São Jorge’’ (Caetano Veloso) – com participação especial do autor – ‘‘Requebra’’ (Pierre Onassis/Nego), ‘‘Nossa Gente (Avisa Lá)’’ (Roque Carvalho) e ‘‘No Woman No Cry’’ (V. Ford/versão Gilberto Gil), com Jimmy Cliff.

ReproduçãoBarbra Streisand
Recém-casada com o ator e diretor James Brolin, Barbra Streisand lança ‘‘A Love Like Ours’’, um CD confessional e intimista sobre paixão. Para o público romântico, o disco pode ser uma boa pedida. Mas para quem gosta de doses moderadas de glicose, o resultado é excessivo. Com a experiência de quem já ganhou os prêmios mais importantes da indústria fonográfica americana, Barbra Streisand incluiu ‘‘Isn’t it a Pity’’, numa versão interessante da música dos irmãos Gershwin. O repertório traz ‘‘The Island’’ (Começar de Novo), composta por Ivan lins e Vitor Martins, com versão de Alan e Marilyn Bergman e Paulinho da Costa na percussão. O sax tenor aparece em solos pouco expressivos, comandados por Kenny G – que também está em ‘‘The Music That Makes Me Dance’’ (Jule Styne/ Bob Merril). Em ‘‘If You Ever Leave Me’’ (Richard Marx), Streisand aparece em dueto com Vince Gill.

mockup