ReproduçãoMary J. Blige
‘‘Mary’’ é o sexto álbum de Mary J. Blige, cantora que frequenta o hall dos superfamosos da música pop. E alguns deles dão as caras no lançamento. Lauryn Hill arranja e divide os vocais em ‘‘All That I Can Say’’, faixa que abre o álbum. As participações continuam: Elton John, Aretha Franklin e Eric Clapton. Com uma mistura de soul, funk e hip hop, Mary J. Blige incorporou os acordes iniciais de ‘‘Bennie and the Jets’’, tocados por Elton John, em ‘‘Deep Inside’’. Se o lançamento traz doses de criatividade, erra ao confiar em clichês. Quase todas as músicas carregam um tempero de flash-back, principalmente por serem similares ao que a música americana vem fazendo há décadas. A sensação é de que todo o disco – lançado pela Universal – já foi muito ouvido e tocado, devido ao excesso de lugares-comuns.



ReproduçãoRionegro & Solimões
A dupla da vez é Rionegro & Solimões. O posto já foi ocupado por João Mineiro & Marciano, Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano. Todos começaram tendo a música caipira como referência. Hoje fazem questão de seguir outros rumos. Apesar de falar de bois e laços, a música de Rionegro & Solimões é tão urbana quanto o rock. E a influência da música americana na construção de seus sucessos incide em grande porcentagem. Já se fala até em rock-n-’roll sertanejo. Os arranjos country aparecem em boa parte do lançamento. A tal ‘‘música de raiz’’ ficou no discurso. Um dos problemas de se apelar para fórmulas de consumo fácil é a fragilidade do produto final e seu posterior esquecimento. O novo disco de Rionegro & Solimões – lançado pela Universal – deve manter a dupla entre as paradas de sucesso, e esse parece ser seu principal objetivo.

ReproduçãoMona Gadelha
‘‘Cenas e Dramas’’ é o segundo álbum de Mona Gadelha, cantora e compositora cearense que mescla rock, blues e suingue com MPB. O CD conta com algumas participações expressivas, como Toninho Ferragutti em ‘‘Duro’’ (Fernando Pereira), Maurício Pereira em ‘‘Por Tudo o que For’’ (Lobão/Bernardo Vilhena), e Sérgio Rossoni na engenharia de gravação. No repertório, destaca-se o blues ‘‘Ouvindo o Coração’’ (Edvaldo Santana/Gildo Passos). Gravado no Zabumba Records e VU Studio, ‘‘Cenas e Dramas’’ traz instrumental competente – um dos destaques do lançamento – segurando com tranquilidade a voz de Mona. Algumas canções, no entanto, ainda buscam formato definitivo. Na fronteira entre rock, blues, eletrônico e temática beat, Mona Gadelha afirmou o prumo e estabeleceu a rota, mas ainda não achou o destino final.

ReproduçãoSandy & Junior
Já na adolescência, a dupla Sandy e Junior parte para a música romântica e, a exemplo de Chitãozinho e Xororó, procura respaldo em alguns hits da música americana. ‘‘As Quatro Estações’’ traz produção de Guto Graça Mello – que também produziu o último de Chitãozinho e Xororó – e Feio. O disco já abre com uma versão de ‘‘Immortallity’’, do Bee Gees. A fórmula é seguida em ‘‘Como Suenan Las Sirenas’’ (Ana Toroja/N.Yustas/L. Cabañas). O romântico/pop permeia todo o trabalho, que continua voltado para adolescentes e pré-adolescentes. Até as músicas compostas por aqui, como ‘‘A Arte do Coração’’ (Feio/Xororó/Noely) traz reflexos da música pop americana, no que há de mais comercial produzido por lá. ‘‘As Quatro Estações’’ segue as fórmulas que vêm garantindo o sucesso da dupla: composições simples, recheadas de clichês, com produção industrial.

ReproduçãoMangabinha e Nhozinho
A dupla de sanfoneiros está lançando o segundo disco instrumental, voltado para o forró com acentuação caipira. Ambos se intercalam nos solos de músicas como ‘‘Paraíba’’ (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), ‘‘Eu Só Quero um Xodó’’ (Gilberto Gil) e ‘‘Saudades de Matão’’ (Jorge Galati/Antenógenes Silva/Raul Torres). Mangabinha e Nhozinho não frequentam a tendência do chamado ‘‘forró pop’’, que ganhou espaço na mídia com características comerciais. Nos forrós, xotes, e arrasta-pés que compõem o repertório, os músicos evitam o sintetizador para utilizar instrumentos como bateria, baixo, violão, percussão e cavaco. O resultado é um instrumental mais encorpado e menos pasteurizado. O álbum – lançado pela Atração Fonográfica – ainda traz composições inéditas da dupla. Mangabinha foi um dos fundadores do Trio Parada Dura e – como Nhozinho – já acumula mais de 30 anos de carreira.



ReproduçãoRicardo Lemvo
Este é o segundo disco de Ricardo Lemvo, acompanhado do ótimo grupo Makina Loca, lançado em 1998 pela Putumayo Records. O selo é importado, mas seus títulos andam frequentando as prateleiras de algumas lojas especializadas em ‘‘world music’’. Nascido na República Democrática do Congo, ex-Zaire, Lemvo morou nos Estados Unidos e traz uma influência incisiva da música afro-cubana e das canções rancheiras mexicanas. ‘‘Mambo Yo Yo’’ traz um instrumental que segue a marcação do piano, criando o ambiente ideal para a voz enrouquecida de Lemvo. Os temas são românticos e místicos, e o álbum traz rumba e mambo de primeiro time. Ricardo Lemvo considera a música cubana resultante dos tambores de seus antepassados, escravizados na América. Por isso, canta como se estivesse com um nervo exposto. ‘‘Mambo Yo Yo’’ é ideal para quem se interessa por música afro-caribenha e deseja fugir dos clichês que chegam até aqui.

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