Os lançamentos proliferam. Quem reclamava da alta dólar, que tornou impossível a aquisição de CDs importados, já pode relaxar. Bons títulos estão chegando ao mercado brasileiro, a ponto de ficar difícil escolher aqueles que merecem a prioridade do bolso.
''Chat and Business'' (Sum Records), o disco de estréia da banda inglesa Ikara Colt, é um deles. ''Scorpio Rising'' (BMG), terceiro álbum do duo britânico Death in Vegas, é outro. Distintos em sonoridade, os dois disputam espaço nas prateleiras ao lado de CDs recomendáveis de Idlewild, Manic Street Preachers, Interpol, Guided by Voices, Delgados, Zwan, Massive Attack e vários outros que inundam as lojas ameaçando a mesada ou o salário do freguês.
Ikara Colt pôs fogo no pop britânico, depois de uma longa temporada em que a Inglaterra e adjacências pareciam sucumbir às baladas. A banda, que tem uma guria na guitarra (Claire Ingram), dispara riffs crus e urgentes remetendo a uma mistura de referências longínquas (The Fall e Sonic Youth) e atuais (The Hives e Trail of Dead).
Quando surgiu com o single ''Sink Venice'', foi saudada como uma das grandes promessas do novo rock londrino. Logo, a imprensa local encaixou-a numa nova cena batizada ''Cena sem Nome'', da qual fariam parte grupos como Miss Black America, Parkinsons e McLusky. A ceninha mal passou de um verão, mas o Ikara Colt subiu na cotação da crítica e do público indie com o lançamento do primeiro álbum.
Sem provocar a mesma comoção, o duo Death in Vegas chega ao terceiro trabalho mantendo a proposta de acolher diversas participações em suas faixas. A exemplo dos Chemical Brothers, Richard Fearless e Steve Hellier adoram convidar amigos da comunidade indie para tocar ou cantar em suas composições. Desta vez, chamaram Liam Gallagher (do Oasis), Hope Sandoval (Mazzy Star), Paul Weller e Dot Allison.
O duo soa cada vez mais eclético fundindo teclados e guitarras indies. No álbum, o arco de incursões vai do britpop (''Scorpio Rising'') ao rhythm and blues (''So You Say You Lost Your Baby'') passando pelas sonoridades etéreas da gravadora 4AD (''23 Lies''). Os vocais doces de Hope Sandoval destacam-se em duas das melhores faixas, ''Killing Smile'' e ''Help Yorself'', ambas com arranjos para violinos e respectivas inserções de banjo e cítara. Death in Vegas já nem parece um duo eletrônico.

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