Os filósofos já não estão sozinhos na reflexão sobre o ser e a existência. O novo milênio vai exigir também a colaboração de biólogos e demais pesquisadores que lidam com a vida. No ciclo histórico em que o homem passa de criatura a co-criador na Natureza seja através da clonagem, do mapeamento genético ou da hibridização de moléculas do DNA , os estudiosos dos seres vivos serão cada vez mais desafiados a ampliar seus conceitos éticos e questionar o papel da espécie humana em sua própria preservação e na preservação do planeta.
É o que diz o professor do Centro de Ciências Biológicas e diretor do Laboratório de Produção de Medicamentos da UEL, Luiz Carlos Bruschi, que tenta contribuir no debate com a publicação do livro ''Rede Autopoiética A Vida da Vida''. No volume, ele defende a idéia de que o mundo deve ser visto como um todo integrado em infinitas associações, partindo da constatação de que cada organismo vivo seria ''um nó de uma magnífica trama cósmica'' e se constituísse num processo de contínua autoconstrução trocando matéria e energia com o meio daí a ''autopoiese'' (referência no título) que, em biologia, quer dizer construir a si mesmo.
Pelo novo olhar, toda hierarquia é banida, não havendo uma forma superior de vida na Natureza. A consequência dessa visão é o surgimento de um novo paradigma, a ''biologia sistêmica'', que se opõe à biologia impregnada de dogmas cartesianos que até hoje regeram a ciência. ''A visão mecanicista de fragmentar para conhecer o todo é enganosa e mostra apenas um retrato pálido de uma realidade que não conhecemos'' explica o autor.
''A visão total é mais abrangente porque observa os tipos de relação entre os elementos, e não simplesmente sua estrutura, de forma isolada. Numa visão mecanicista, estabelecemos o conhecimento do todo a partir das partes, enquanto numa visão sistêmica (termo que prefiro ao holístico, que soa a bruxaria) vamos do todo para as partes''.
Nos capítulos finais, ele transporta a abordagem sistêmica para a comunidade dos homens. ''Na mesma perspectiva das redes biológicas, não podemos pensar as sociedades humanas como um organismo sadio se partes de sua rede apresentarem-se esfaceladas'' escreve. ''E patologias importantes podem ser diagnosticadas no organismo social humano: uma grande parcela de humanos é excluída da malha social e sobrevive marginalmente; as comunidades humanas do hemisfério norte, em grande escala, subjugam as do hemisfério sul. Detectamos regiões pobres em países ricos; países pobres em continentes ricos. A falta de homeostase desse organismo social se deve, em grande parte, à ausência de fraternidade e solidariedade, que se constituem em elementos-chave para a manutenção de seu equilíbrio''.
''Rede Autopoiética A Vida da Vida'' é um dos lançamentos de hoje da Eduel. Além dele, o autor já publicou o livro ''A Origem da Vida e o Destino da Matéria'', pela mesma editora.
Serviço:
Rede Autopoiética - A Vida da Vida
Luiz Carlos Bruschi
Eduel / Preço: R$ 18,00
Lançamento: hoje, na Funcart, com 40% de desconto

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