São Paulo, 29 (AE) - Novos CDs de música internacional no mercado: George Michael - George Michael sempre foi um dos mais respeitáveis nomes do mundo pop. Produzido por Phil Ramone, ele está de volta com "Songs from the last Century" (Virgin Records), e mostra sua versatilidade em interpretações de temas gershwinianos como Brother Can You Spare a Dime" e "Youve Changed". Um crooner chiquérrimo. Ele intercala os standards dos anos 50 com outros temas roqueiros (como Miss Sarajevo, do U2 e Brian Eno), transmutando tudo em puro jazz, em puro charme. Em Miss Sarajevo", uma percussão digna transforma o hino - responsabilidade de Danny Cummings. Belos arranjos orquestrais, belo disco. Charlotte Church - Pobre menina rica. Aos 13 anos, já ganhou seus primeiros US$ 10 milhões, mas é levada pelo mundo para cantar em play-back em recitais bregas e um repertório decorado, do qual não tem o mínimo conhecimento cultural. Mas não é verdade que Charlotte Church, a voz feminina que faz dueto com Agnaldo Rayol em "Tormento dAmore", tema da novela das 8, não tenha potência vocal. Tem. Mas o problema é: até quando? Ela começou precocemente e forçou o talento natural antes mesmo de saber qual era a definição de seu registro vocal. Seu segundo disco, lançado aqui pela Sony, expõe essas contradições da carreira prodígio. Tony Bennett - Alguns artistas são elegantes algumas vezes, mas Tony Bennett é o fino da bossa. Considerado ad nauseum como o "sucessor" de Frank Sinatra, ele é um pouco mais que isso. E mostra sua elegância peculiar em plena forma neste Tony Bennnett Sings Ellington - Hot & Cool (Sony Music), acompanhado de Wynton Marsalis, The Ralph Sharon Quartet, Al Grey e outras feras. Bennett conta que foi fisgado pela música de Ellington quando era um garoto, ao ver um show do Duke e de Ethel Waters. Em 1958, trabalhou com o maestro, pianista e arranjador. O que ele faz com Mood Indigo, Shes Got It Bad, In a Sentimental Mood e outros standards do mestre é covardia. Pumpkins - Fantástica a capacidade do grupo americano Smashing Pumpkins de perpetrar, em um disco irregular, pelo menos uma ou duas grandes canções. É o caso deste Machina - The Machines of God (Virgin), que traz a furiosa Stand Inside Your Love. É a faixa que melhor sintetiza o insight inicial dos Pumpkins: uma mistura de psicodelia, rock pesado e desencanto adolescente. O álbum é o quinto da banda e marca a volta do baterista Jimmy Chamberlin. A baixista ainda é a loura DArcy (no disco, porque na turnê é Melissa Auf Der Maur, que deixou o Hole e se juntou à trupe de Billy Corgan). Os modelitos dark estão superados, mas o som ainda não. Enigma - O Enigma inventa o gênero "tecnomedieval" com esse "The Screen behind the Mirror (Virgin Records). Incorrendo no clichê supremo do culto medievalista, o produtor romeno Michael Cretu (o nome do Enigma) construiu seu esoterismo tecnológico à base do coral de o Fortuna, de Carl Orff (do oratório Carmina Burana"). Afirmando essa originalidade, ele empilhou temas e padrões musicais que exploram o mistério ao nível da ficção científica de seriado. A voz em "Gravity of Love é de Ruth Ann. Cretu já trabalhara antes com Mike Oldfield, mas - de formação erudita - perdeu-se no meio caminho entre a diversão e a seriedade, prestando um desserviço a ambas.

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