Instrumental

Bandeira do Divino
GILSON PERANZZETTA
Gravadora: Delira
Quanto: R$ 28
Avaliação: bom
  Se os jazzistas norte-americanos utilizam canções de George Gershwin, Irving Berlin ou Cole Porter como veículos para seus improvisos, por que nossos instrumentistas não podem fazer o mesmo com o cancioneiro brasileiro? Esse é o mote do álbum do pianista carioca, que leva o subtítulo ‘‘Brazilian Standards’’. Peranzzetta revela belezas esboçadas nas melodias e harmonias de clássicos como o samba ‘‘Lamentos do Morro’’ (Garoto), a toada ‘‘Asa Branca’’ (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga) ou a valsa ‘‘João e Maria’’ (Chico Buarque e Sivuca), entre outros. E mostra seus dotes de compositor na bela ‘‘Love Dance’’ (parceria com Ivan Lins).
Por que ouvir: Para apreciar a arte de um arranjador e pianista do primeiro time do instrumental brasileiro.(Carlos Calado/ Folhapress)


MPB

14 Bis ao Vivo
14 BIS
Gravadora: Sony BMG
Quanto: R$ 42
Avaliação: regular
  Surgido em 1979 na esteira do Clube da Esquina, o 14 Bis pouco mudou, desde então, a sua combinação à mineira de baladas românticas e rock progressivo – com fartos falsetes. Para quem ainda é fã, como o empolgado público que foi ao Palácio das Artes, em Belo Horizonte, participar da gravação, este DVD vai agradar com sucessos como ‘‘Espanhola’’, ‘‘Todo Azul do Mar’’ e ‘‘Linda Juventude’’. Para os outros, resta detectar os focos de qualidade existentes em canções como ‘‘Bola de Meia, Bola de Gude’’, ‘‘Caçador de Mim’’ (com participação de Beto Guedes) e ‘‘Mais Uma Vez’’. O ex-integrante Flávio Venturini deu canja em estúdio.
Por que ouvir: Nostalgia ou perseverança (Luiz Fernando Vianna/Folhapress)


Pop-rock

Distorções do Meu Jardim
GEORGE ISRAEL
Gravadora: Som Livre
Quanto: R$ 24,90
Avaliação: bom
  Entre as esquisitices do rock dos anos 80, uma das mais marcantes foi eleger o saxofone como elemento necessário. George Israel fez seu nome no Kid Abelha e agora lança seu segundo disco solo, aproveitando que a líder Paula Toller também divulga seu próprio disco. Por um lado, Israel mantém a reverência ao som e aos parceiros de sua década de ouro. Leoni está em ‘‘A Noite Perfeita’’ e a versão roqueira/dramática e pungente para ‘‘As Rosas Não Falam’’ (Cartola) é puro Cazuza – este ainda divide os créditos com Nilo Romero em ‘‘Mina’’. Mas o músico também tenta conexão com o presente (Marcelo Camelo está em ‘‘Chão de Jardim’’) e o passado mais remoto (Jorge Mautner canta em ‘‘Curados ao Sol de Copacabana’’).
Por que ouvir: Pop não é sinônimo de música fraca, e George Israel continua sendo um sem-vergonha do pop. (Bruno Yutaka Saito/ Folhapress)


Rock

Little Room
SLOT
Gravadora: Monstro Discos
Quanto: R$ 15
Avaliação: bom
  Quatro jovens paulistanos (entre 24 e 26 anos) com influências de Elvis, Stray Cats, Clash, Ramones – do bom e velho rock and roll, enfim – fizeram um disco animadíssimo, todo em inglês (bem cantado), com faixas em sua maioria curtas e certeiras. Jhun (vocal), Kadu (baixo), Minoru (bateria) e Nako (guitarra) têm a empolgação contagiante dos iniciantes, um disco que não dá margem a tendências modernas -nada de emo, eletrônica, new rave etc.– e não tem a menor vergonha disso. Ocasionalmente, resvalam no pior do Green Day, mas, no geral, seguram a onda. Não é o Guitar Wolf brasileiro, mas é quase.
Por que ouvir: A seqüência ‘‘Dreams’’, ‘‘Willy’’ e ‘‘Good Old Song’’ (que cita a versão do Clash para ‘‘I Fought the Law’’) já vale mais do que todos os últimos discos do CPM 22. (Marco Aurélio Canônico/ Folhapress)

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