MPB

Corra e Olhe o Céu
CARONA BRASIL
Gravadora: Paulus
Quanto: R$ 22, em média
Avaliação: bom
  Grupos vocais são sempre perigosos, mas o quinteto mineiro Carona Brasil evita uníssonos e gorjeios excessivos, optando pela concessão e dando bastante espaço para os solos. Como são boas as cinco intérpretes – Ana Mafra, Branca de Castro, Cássia Mattiello, Rosana Tunes e Silvia Zappulla –, é simples a instrumentação e é ótimo o repertório, ‘‘Corra e Olhe o Céu’’ resulta em um CD agradável, com clima de sarau. A ‘‘Modinha’’ de Villa-Lobos e Manuel Bandeira e os dois sambas de Noel Rosa (‘‘Não Tem Tradução’’ e ‘‘Estátua da Paciência’’) estão entre os destaques do álbum.
Por que ouvir: ‘‘Ingênuo’’, ‘‘Flor Amorosa’’, ‘‘Lua Branca’’ e ‘‘Ontem ao Luar’’ nos jogam no início do século 20. (Luiz Fernando Vianna/ Folhapress)

Foi a Noite
CLAUDETTE SOARES
Gravadora: Lua
Quanto: R$ 22, em média
  Uma das maiores cantoras do Brasil, a baixinha Claudette Soares, 69, tem aquele dom de unir balanço e romantismo com facilidade -como tinha Elizeth Cardoso. O repertório de Tom Jobim é, portanto, perfeito para ela. Neste CD, dedicado à obra do maestro, ela regrava ‘‘Foi a Noite’’ e ‘‘Só Saudade’’, que lançou nos anos 50, arrisca músicas menos conhecidas do grande público, como ‘‘Cala, Meu Amor’’, e dá sua versão para clássicos como ‘‘Derradeira Primavera’’, ‘‘Inútil Paisagem’’, ‘‘Sabiᒒ e ‘‘Retrato em Branco e Preto’’. A cantora pode soar muito solene em alguns momentos, mas sua voz permanece belíssima.
Por que ouvir: Apenas com piano e sopros – além do violoncelo em uma faixa –, os arranjos deixam Claudette brilhar.(Luis Fernando Vianna/ Folhapress)


Pop rock

The Reminder
FEIST
Gravadora: Universal
Quanto: R$ 25
Avaliação: bom
  A canadense Leslie Feist, 31, é ‘‘a’’ artista indie do momento, numa tradição que lembra The Smiths, Belle & Sebastian e Cat Power. Mas, se você fica com sono só em ouvir esses nomes, há de se mencionar que ela não é mais uma garota melancólica se lamuriando com o violão. Ela tem ginga e já colaborou com a loucona Peaches. Neste segundo disco solo, sua voz áspera e doce – ela quase perdeu a voz quando cantava numa banda de rock chamada Placebo (não aquela) – e uma sonoridade ‘‘low profile’’, quase rústica, embalam as boas letras confessionais, sobre desencontros amorosos. Tem um pouco de folk, rock, canções de fossa, releitura de Nina Simone (‘‘Sealion’’) e membros ilustres na banda, como Gonzales e Jamie Lidell.
Por que ouvir: Feist é para melancólicos alegres. Experimente ver seus fantásticos clipes no YouTube, que lembram aqueles antigos musicais de Hollywood. (Bruno Yutaka Saito/Folhapress)


Rock

Estéreo
CARA DE CAVALO
Gravadora: independente
Quanto: R$ 18, em média
Avaliação: regular
  Com nome de bandido, mas som de mocinho, a banda paulistana Cara de Cavalo, centrada no duo Marcelo Cauê (voz, violão e gaita) e Silmar Nogueira (guitarra e vocal), chega a seu segundo CD com seu rock que alterna momentos quase acústicos (‘‘Quadro’’, ‘‘Hoje’’) com outros em que a guitarra pesa mais (‘‘Ser Alguém’’, ‘‘Sabe Senhor’’). Há alguns momentos Jota Quest (como em ‘‘Diferente de Voc꒒) e outros menos inspirados, inclusive nas letras (vide ‘‘Vão Dizer por A풒), mas, no geral, ‘‘Estéreo’’ sustenta o interesse, apesar de suas irregularidades.
Por que ouvir: Destacam-se as boas ‘‘Menino de Rua’’ e ‘‘Eu’’, ambas prontas para tocar nas rádios, se estas fossem mais abertas a bandas independentes.(Marco Aurélio Canônico/ Folhapress)

Our Love to Admire
INTERPOL
Gravadora: EMI
Quanto: R$ 30
Avaliação: regular
  Os anos 2000 chegaram promissores para a música pop, com grupos de Nova York – Strokes à frente e Interpol atrás – anunciando uma nova era de ouro no rock. Em seu terceiro disco, o Interpol mostra que não só eles, como essa cena, ficaram na promessa. Com produção de Rich Costey (do Muse), o grupo tenta deixar de ser um sub-Joy Division para buscar uma audiência maior. Da capa, um antílope atacado por leões, às letras sexistas, o grupo anda fascinado com clichês de rock de arena. Assim, soam menos parecidos com o pós-punk britânico, mas andam um tanto sem rumo.
Por que ouvir: O Interpol faz uma música sombria, quase gótica, em sintonia com os dias atuais; faixas como ‘‘Rest My Chemistry’’ e ‘‘The Heinrich Maneuver’’ ainda valem a audição.(Bruno Yutaka Saito/ Folhapress)

mockup