Erudito

Cartas Brasileiras

Léa Freire
Gravadora: Maritaca
Quanto: R$ 31, em média
Avaliação: bom

  Com direção musical de Teco Cardoso e regência de Gil Jardim, a flautista Léa Freire reuniu membros da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e um verdadeiro ‘‘dream team’’ da música popular para executar suas composições. Estão lá o piano de André Mehmari, a voz de Mônica Salmaso, o violão de Paulo Bellinati, o saxofone de Proveta e os clarinetes do Sujeito a Guincho, entre outros.
Por que ouvir: No muitas vezes difícil diálogo entre mundos distintos, Léa Freire constrói uma ponte sensível, na qual o refinamento ‘‘erudito’’ não atua como restrição. Muito pelo contrário: faz as vezes de complemento da espontaneidade ‘‘popular’’. (Irineu Franco Perpetuo/Folhapress)


Pop/Jazz

Call me Irresponsible

Gravadora: Warner
Quanto: R$ 30, em média
Avaliação: regular

  Não é à toa que o CD começa com ‘‘The Best Is Yet to Come’’ (sucesso de Frank Sinatra), nem que o cover de ‘‘Me and Mrs. Jones’’ (hit de Billy Paul) está na trilha da novela ‘‘Paraíso Tropical’’. Com pose de galã e repertório que remete aos crooners das big bands, o canadense Michael Bublé já vendeu 11 milhões de discos. Ele repete a fórmula em seu terceiro álbum, contando mais uma vez com o produtor David Foster (Céline Dion). De novidade, há um duo com Ivan Lins, em ‘‘Wonderful Tonight’’, de Eric Clapton. Já a inacreditável versão da italiana ‘‘Meglio Stasera’’ não poderia ser mais cafona.
Por que ouvir: As fãs que não se incomodam por Bublé cantar como se vivesse nos anos 40 devem gostar. (Carlos Calado/Folhapress)


Trilha

Tudo o que Gira Parece a Felicidade

Arthur Nestrovski
Gravadora: Gaia Discos
Quanto: R$ 29, em média
Avaliação: bom

Composta pelo articulista da Folha de S. Paulo Arthur Nestrovski, a trilha do espetáculo homônimo do coreógrafo Ivaldo Bertazzo e da crítica da Folha Inês Bogéa traz 12 faixas que passam por choro, afro-samba, ciranda e ‘‘noturno pianístico’’, com participação dos cantores Celso Sim e Ná Ozzetti, do clarinetista Proveta, do pianista Marcelo Jeneci e de outros. Com firmeza quase erudita, o disco traz obras maduras e arranjos cristalinos, num clima não muito distante da pós-vanguarda paulistana de gente como Dante Ozzetti, Ceumar, DonaZica, André Mehmari. Inteligente e bonito, mas com seriedade quase fria.
Por que ouvir: Pela beleza das canções e delicadeza dos arranjos, pelo capricho na composição e execução. (Ronaldo Evangelista/Folhapress)



Reggae

Abre a Janela

Ponto de Equilíbrio
Gravadora: Klimanjaro
Quanto: R$ 15, em média
Avaliação: bom

  ‘‘Janela da Favela’’, música que inspirou o título do segundo CD da banda carioca, é do sambista Gracia do Salgueiro, pai de um dos integrantes e autor de ‘‘1.800 Colinas’’, sucesso de Beth Carvalho. Significativamente, é disparada a melhor música do disco. Primeiro, porque permite ao grupo uma união muito feliz e promissora entre samba e reggae -mas sem parecer com o samba-reggae baiano. E ainda é mais precisa como canção de protesto do que outras feitas com esse fim. ‘‘Abre a janela da favela/ Você vai ver a beleza que tem por dentro dela’’, diz a letra. Há outras faixas boas, mas também há referências demais a Jah, Monte Sião e outros clichês do repetitivo mundo do reggae. Aliás, o encarte vem com uma seda passível de ser usada para fazer cigarro de maconha, embora não haja apologia ao uso no CD.
Por que ouvir: Pelas possibilidades abertas com ‘‘Janela da Favela’’, principalmente. (Luiz Fernando Vianna/Folhapress)

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