LANÇAMENTOS DE CDs - Rafael Ceribelli
Mamãe, quero ser grande
A boyband inglesa The Wanted lança seu segundo disco - ''Battleground'' - tentando se afirmar nos topos das paradas das rádios britânicas. Contando com a ajuda de fãs alucinadas e uma boa recepção do público em geral, o verdadeiro problema dos garotos é que eles seguem uma velha fórmula, já desgastada, de todos os outros grupos do gênero (Backstreet Boys e N'Sync, para citar os dois principais), e o som, apesar de ter alguma batida e ritmo, não acrescenta nada musicalmente ao estilo. Alguém se lembra dos tupiniquins Twister ou KLB? Pois é, cópias tendem a ser esquecidas facilmente.
Sonho da valsa
''Qual é o segredo da valsa?'', pergunta o violinista André Rieu na contracapa de seu disco. ''O seu ritmo faz as pessoas se moverem. Os seus temas carregam o ouvinte para dançar melodicamente. Não é apenas um-dois ou um-dois-três, mas existem infinitas nuances, infinitas cores que refletem e expandem o centro prismático da música'', reflete. O show ''And the Waltz Goes On'', gravado ao vivo no salão do castelo de Belvedere, em Viena, hipnotiza o público com seu ritmo e melodias fascinantes. Acompanhado pela Johann Strauss Orchestra, Rieu tem sucesso em relembrar nostalgicamente a beleza da valsa clássica, com faixas como ''Grande Valse Viennoise'' e ''Lovely Vienna by Night'' e belos arranjos modernos como ''Singing in The Rain''.
Estranho breganejo
A faixa que abre o novo disco de Leonardo - ''Nada Mudou'' - é um assassinato do clássico de John Lennon ''Stand by Me'', com arranjos em português. Dito isto, é incrível que o disco ainda tenha uma longa ladeira abaixo para cair; alternando seu brega chapeludo (Baby / fala pra mim / que ainda gosta de mim), com um tempero de cowboy fora-da-lei (Segunda feira eu vou pro bar / terça-feira eu vou também / beber, beber, beber), Leonardo acaba não se firmando em nenhum gênero definido de sertanejo, e até seus fãs fiéis vão ficar em dúvida se choram ou se saem pegando a 'muiezada' entre uma faixa e outra. Talvez, seja hora de pendurar o chapéu.
Está no sangue
É de se admirar a multiplicidade de Charlotte Gainsbourg; atuando e cantando desde os seus 13 anos de idade, e com uma promissora carreira cinematográfica pela frente (seu trabalho mais significativo foi no longa Melancholia, um dos destaques deste ano em Cannes), a filha do lendário Serge Gainsbourg tenta mostrar, no álbum ''Stage Whisper'', que o talento musical pode ser genético. Com faixas produzidas e compostas em parceria com o músico Beck, a cantora se mostra sensual e intrigante, e sua voz aveludada revela intimismo em meio às batidas eletrônicas e acordes de guitarra. Ao mesmo tempo sutil e desafiadora, a música de Charlotte com certeza iria fazer seu pai ficar orgulhoso; ele deve estar sorrindo, acendendo um cigarro e bebendo um copo de uísque em algum lugar no céu (ou, mais provavelmente, no purgatório).
Ho..Ho..Ho? No!, No!, No!
É Natal, é alegria, é felicidade incondicional, vontade de abraçar e fazer cosquinhas! Mas tudo tem um limite. O novo álbum da série musical Glee, intitulada ''Glee: The Christmas Album Volume 2'', não é nada mais do que um recorte da trilha sonora do especial natalino da série de TV - que virou febre nos EUA. A história dos personagens pode ser resumida da seguinte forma: um monte de jovens no colégio, excluídos e desajustados, que encontram a felicidade através da dança e da música. Felicidade só para eles mesmos, porque, na verdade, as músicas são tão coloridas e alegres que causam enjoo aos ouvintes desavisados; o disco é tão falso que parece ser cantado por um bando de esquilos 3D, saídos diretamente de algum filme B da Disney. É de encher o saco do Papai Noel.





