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sexta-feira, 03 de junho de 2016
João Paulo Carvalho<br>Agência Estado 
Os óculos escuros camuflam o cansaço. Foram mais de 20 horas de viagem até que os integrantes de O Rappa desembarcassem em São Paulo na manhã da última quinta-feira. Eles fizeram quatro shows na Austrália e na Nova Zelândia. Algo, até então, inédito para a banda. Apesar das energias não estarem 100% carregadas, Marcelo Falcão (vocal e violão), Lauro Farias (baixo), Marcelo Lobato (teclados) e Xandão (guitarra) falam com entusiasmo sobre o novo trabalho, o CD e DVD gravado na Oficina Brennand, no Recife. O disco foi lançado pelo Google Play Música.
O repertório do novo trabalho traz 17 músicas. Dessas, 4 são inéditas. Há também outros sucessos dos álbuns Sete Vezes (2008) e Nunca Tem Fim (2013). O set inclui ainda vários hits que marcaram a carreira do grupo.
Diferentemente do primeiro acústico lançado pela banda em 2005, desta vez O Rappa usa instrumentos diferentes nos arranjos das canções. O repertório vai da guitarra de 12 cordas, passando pelo clavinete, o piano elétrico, a escaleta e os steel drums - tambores de aço - utilizados com frequência na música caribenha. "Aprendemos muito gravando esse trabalho. Nem sempre dominamos tecnicamente os instrumentos, mas vale a tentativa de experimentar, tentar algo novo", afirma Lauro.
Gravado na oficina do escultor e artista plástico Francisco Brennand, no Recife, o trabalho mostra os quatro integrantes se apresentando em uma lindíssima galeria de arte a céu aberto. Foi a primeira vez que o local recebeu um show desse porte. O DVD também mostra cenários históricos do Recife, além de obras impactantes e um encontro emocionante com Brennand.
A relação de amor com o Recife é antiga. Começou com o Festival Abril Pro Rock no fim da década de 1990 e se mantém até hoje. Os últimos shows de O Rappa na cidade atraíram um bom público, principalmente o do Marco Zero, realizado no carnaval do ano passado. "Tinha um preconceito enorme. Quando fomos chamados para nos apresentar no carnaval, camarada, pensei que a coisa não vingaria. Erro meu. Me apaixonei ainda mais por Recife e pelo carnaval", conclui Falcão.


