LANÇAMENTOS
São Paulo - O título "Soft Apocalipse" cai bem. Porque o primeiro disco da cantora paulistana Marina Melo vai mesmo de uma canção docinha ao rumo de uma quebradeira sonora. Um álbum agradavelmente inclassificável.
As 13 faixas autorais surpreendem por já rascunharem uma identidade. "A última música do disco, 'Desditos', é a primeira que eu compus, em 2012. Desde então eu componho, não de uma forma compulsiva, mas componho", conta Marina à reportagem.
O álbum começou a tomar forma em 2014, quando ela e o produtor Gabriel Serapicos esboçaram os primeiros arranjos, mas as gravações vieram no ano passado. É curioso descobrir que o trabalho de Marina só engrenou de verdade quando ela "desistiu" de ser cantora.
"Sou formada em pedagogia na USP, mas sempre estudei música. Achava que seria cantora, mas não dava muito para a coisa. Quando escrevi a primeira música, descobri que era compositora, achei meu lugar."
Talvez a maior surpresa de "Soft Apocalipse" seja a qualidade das letras. Vão do insólito de "Valsa da Barata", que fala de alguém que está cantando e não pode parar, mesmo com uma barata no cabelo, ao tema recorrente do desejo entre duas pessoas, em "Além de Feio", mas com uma pegada poética incomum.
"Dever Cívico" e "Laura" têm ligação com coisas atuais. A primeira fala da crise hídrica em São Paulo. A segunda foi composta quando as redes sociais foram tomadas pelas revelações de assédios sofridos por mulheres.
Sobre ser "antena" do que acontece, Marina diz que sente necessidade de compor assim, mas desde que não "force a barra". "Adoraria fazer mais isso, mas não vou ficar tentando o tempo todo."





