São Paulo - A peça "Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana", sobre a revolta de 1798, foi escrita por Mário Lago na década de 1970, censurada pela ditadura e até hoje não encenada.
Parece algo envelhecido, mas quem diz isso a Dori Caymmi, 72, que musicou versos da peça, pode receber como resposta a estrofe inicial da canção "Três Joaquins" com sabor de atualidade:
"Nós somos sacaninhas/ E aqui estamos na historinha para delação/ Seja lá qual for o lado/ Vendemos por bom trocado uma informação".
Ou receber uma resposta formal: "É uma peça histórica. Se chegam a pensar que envelheceu é porque nossa memória é muito ruim. Eu ignorava a Conjuração Baiana. Não se ensinava nas escolas."
Dori bancou a produção do CD "Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana" e decidiu lançá-lo logo, para alguém se animar a encenar o texto.
Participam do disco Joyce Moreno, Mônica Salmaso, Sergio Santos, Renato Braz, o português Roberto Leão e outros.
São 14 músicas que contam o movimento liderado por Luiz Gonzaga das Virgens, João de Deus, Lucas Dantas e Manuel Faustino dos Santos Lira. Eles queriam a independência do Brasil e, como ocorrera na Inconfidência Mineira, foram massacrados pela Coroa portuguesa: acabaram na forca e seus corpos, esquartejados.
Militante comunista, Mário Lago (1911-2002) escolheu o tema histórico para tratar, na verdade, de algo mais atual: a luta contra a ditadura militar.
É uma abordagem familiar para Dori, que fez a direção musical dos espetáculos "Arena Conta Zumbi" (1965) e "Calabar" (1973) - além de "Opinião" (1964), o primeiro libelo teatral contra o regime.
"Aceitei o convite dos filhos do Mário Lago porque é uma boa peça e, sobretudo, em homenagem a ele, um grande brasileiro", afirma o artista, cujo pai, Dorival Caymmi, era amigo de Lago e admirador de suas letras.

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